Análise: Shot in the Dark

Os jogos de inspiração retro são talvez o que mais vai aparecendo nos lançamentos de jogos indie atualmente. Algo que se tem mantido verdade ao longo dos anos é que a maioria dos criadores tem como fonte de inspiração a era dos 8bits e 16 bits, eras essas muito queridas para a grande maioria dos jogadores que cresceu nessa altura. Por muito que tenhamos adorado jogar na PlayStation original, na PlayStation 2, Nintendo 64, GameCube ou Xbox, há um carinho especial pelos jogos da NES, SNES, Master System e Mega Drive e o aspeto e jogabilidade da grande maioria dos jogos indie mostra isso mesmo.

No entanto ocasionalmente são lançados jogos que vão buscar inspiração aos jogos um pouco mais antigos, numa altura mais arcaica onde até as cores à disposição eram bem menos. Shot in the Dark é um destes jogos, utilizando apenas três cores, com algumas alterações poderia ser lançado numa qualquer antiga Commodore 64 ou ZX Spectrum. Shot in the Dark passa-se numa versão alternativa do oeste selvagem, onde uma cidade atormentada por zombies e cabe ao nosso pistoleiro de serviço resolver as coisas.

Não eram apenas os visuais que eram limitados na altura da Commodore 64, também a jogabilidade tinha que ser muito simples e Shot in the Dark é bastante simples. A e D movem a personagem para esquerda e direita, o W salta, o S saca da pistola e com o rato podemos apontar e disparar, enquanto que o R recarrega a pistola. Em cada nivel encontramos bandidos que podem sacar da sua própria arma e mover lentamente o seu próprio cursor e disparar e alguns demónios que se pode esconder nas sombras.

À medida que vamos avançado o desafio fica mais complicado e vamos ter de eliminar inimigo a inimigo através de uma pista de obstáculos letal para chegar ao fim.É uma configuração simples, mas Shot in the Dark não é um jogo fácil. O tempo é o elementos principal de tudo e precisa-mos de ter cuidado com os nossos tiros já que demora para recarregar, já que o recarregamento é feito com uma bala de cada vez. Ter o dedo no gatilho e uma pontaria precisa é o mais importante, mas se não tivermos uma bala pronta é uma morte assegurada na mesma.

A detecção de acerto também é bastante retro e nem sempre parece justo com o jogador. Os jogos desta era eram brutalmente difíceis, mais do que qualquer jogo Souls no mercado, principalmente porque era a dificuldade que dava longevidade aos jogos. Shot In The Dark não é tão difícil quanto a maioria dos jogos que o inspiraram, mas é de longe bem mais difícil do que a maioria dos jogos ditos comerciais do mercado. Não posso dizer que seja o jogo indie mais difícil que podem encontrar, mas é um bom desafio.

Shot in the Dark é um jogo que visualmente irá atrair principalmente os jogadores que passaram pela era que o inspirou. A música parece também saída da mesma altura, assim como a jogabilidade que apesar de alguns elementos modernos que acrescentam muita qualidade de vida ao jogo, mantêm muitos dos elementos da era. Se como jogadores se enquadram neste público irão encontrar algo para gostar aqui, caso contrário talvez seja melhor guardarem o dinheiro para algo mais nostálgico para vocês.

Tiago Roque

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