Análise: Unto the End

Unto the End é um jogo de plataformas 2D com muito foco no combate. O sistema de combate é realmente interessante mas o jogo também se destaca pelo ambiente que dá uma grande sensação de solidão. Desenvolvido pela 2 Ton Studios, uma equipa de duas pessoas formada por Sara Kitamura e Stephen Danton e é uma experiência desafiante que vai buscar inspiração a jogos como Limbo e até Dark Souls. Unto the End é um jogo muito minimalista. Não há sequer um menu para iniciar, praticamente não há HUD e não há diálogo ou história explícita além do que acontece diretamente no ecrã. O jogo começa com um homem ajoelhado num avião coberto de neve. O homem é saudado por uma mulher e uma criança que lhe dão uma lança e um bocado de cabelo e ele parte, cai numa caverna e precisa sair com pouco com pouco mais doq ue a sua espada.

Sem um tutorial, Unto the End é do ínicio ao fim um jogo que ensina o jogador através das suas ações e falhas. Quando escapa-mos da caverna e avançamos pela selva, recolhemos itens para criar armaduras, facas e tochas, bem como ervas para preparar poções de cura. A confecção desses itens, bem como a cura de feridas e o acesso a uma área de preservação, tudo pode ser realizado enquanto a personagem descansa nas fogueiras. Além disso, encontramos itens exclusivos, como chaves, totens e amuletos por todo o lado e como adquirimos estes itens depende diretamente das nossas ações. Embora a maioria das criaturas com as quais temos contacto sejam hostis, algumas delas são pacíficas, a menos que sejam provocadas. Essas criaturas não ameaçadoras podem ser ajudadas e o final do jogo muda ligeiramente para refletir como tratá-mos destas personagens ao longo do caminho.

Este está longe de ser um jogo fácil e a dificuldade dividirá a maioria dos jogadores. A dificuldade principal é que Unto the End fornece poucas informações sobre como ter sucesso. Mas também oferece todas as ferramentas necessárias desde o início o ter. Mesmo que seja desafiador e valorize as animações, não é um jogo que chegue aos níveis de dificuldade de Darks Souls. Não há mecânica de experiência, não há pontos que ressuscitam inimigos e morrer aqui não penaliza tanto. Quando reaparecemos, geralmente somos lançados logo antes do combate que nos matou. O combate é realmente a estrela em Unto the End. É o objetivo do jogo e embora a jogabilidade seja focada no combate, não é um hack-and-slash.

Tudo é mais lento e requer ações deliberadas. Manter a calma é a chave para o sucesso, já que cada ação que executamos é pesada e tem uma longa animação. Não podemos simplesmente martelar botões pois isso apenas resulta em que fiquemos vulneráveis. Quase todas as habilidades ao nosso dispôr são uma parte valiosa do ciclo de combate. Esquivar permite que se evite ataques altos, rolar permite escapar de ataques baixos que nos esmagariam. As únicas habilidades para as quais nunca encontrei um uso são desmaios e lançar pós que embora funcionem na mesma, nenhuma é particularmente boa.

Além de alguns mecanismos menos úteis, Unto the End também tem falta de opções como ajustar os níveis de volume e controlos personalizáveis. Também não pode reiniciar a partir do último ponto de verificação, apenas podemos reiniciar o jogo inteiro. Visualmente, Unto the End é lindo. O design é soberbo e apenas é pena que seja relativamente curto, acabando em cerca de seis horas. Se a experiência curta mas condensada não é um problema para vocês, então irão encontrar aqui uma excelente proposta dentro do género.

Tiago Roque

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