Análise: Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy

É sempre complicado para mim não começar a jogar algo pelo primeiro jogo. Já me aconteceu adiar durante semanas uma análise porque a editora me enviou o código de uma sequela e preferi ir comprar o primeiro jogo antes de jogar o segundo. Nem sempre isso acontece, mas é sem dúvida a minha preferência. Infelizmente o primeiro Atelier Ryza é ainda recente e o preço dele não é convidativo para fazer isso, portanto terá que ficar para o futuro, para ser jogado como se fosse uma prequela. A série Atelier é longa e quando digo longa, é realmente longa, contando com mais de 20 jogos, sem contar com versões e pacotes completos. Como não joguei o anterior isto foi basicamente o que consegui apanhar do início da história de Atelier Ryza 2.

Atelier Ryza 2 começa alguns anos depois dos acontecimentos do primeiro Atelier Ryza, com a jovem protagonista alquimista, Reisalin “Ryza” Stout, em viagem para a capital Ashra-am Baird. As suas razões para isso são várias. Ela recebeu uma carta de um amigo a explicar que ele encontrou ruínas que podem estar relacionadas com a alquimia, uma pedra brilhante que ela precisa de investigar e o jogo precisa de algo para acontecer não é? Ao contrário da maioria dos jogos do género, os jogos da série Atelier não seguem o rumo do herói que tem de salvar o mundo. No limite há uma espécie de vilão local que temos de derrotar, mas a temática geral nos jogos que joguei da série foi sempre mais a história de uma rapariga à procura do seu lugar no mundo e a particularidade de todas elas serem alquimistas. Essa falta de urgência é um problema no início e as primeiras horas do jogo são gastas a conhecer personagens e locais. Para dizer a verdade não jogava nada da série deste Atelier Meruru e não pude deixar de achar o salto visual realmente impresionante. Joguei novamente os jogos da série em Arland no PC mas estamos a falar de um jogo da PS3 e portanto não muito impressionante aos nossos olhos atuais.

Os tutoriais do jogo aparecem para nos ensinar o sistema de combate, mas são muito superficiais. Isto não quer dizer que este seja um jogo muito complicado e difícil de perceber mas embora as batalhas sejam baseadas em turnos, elas fluem em tempo real e o tutorial podia fazer um trabalho ligeiramente melhor. Temos um indicador que mostra quanto tempo até as nossas personagens ou o inimigo atacarem, o que nos ajuda a planear o ataque e defensa. Podemos defender e somos recompensados com pontos de ação quando a defesa é perfeitamente sincronizada. Os ataques podem causar danos extras seguindo os comandos dos membros do grupo e combos em cadeia. O sistema parece muito complexo e na verdade não é tanto, mas há muito para ter em atenção e ajudaria pensar em tutoriais mais robustos. As masmorras oferecem muito mais coisas para fazer do que apenas lutar. Ao explorar cada uma das várias masmorras recolhemos vários itens que podemos levar para o atelier para usar na criação de itens. Também podemos encontrar vários artefatos espalhados que revelam os segredos das masmorras e é importante encontrar todos, mas dado o tamanho das masmorras pode demorar realmente muito tempo.

Em Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy podemos viajar rapidamente para qualquer mapa da cidade, masmorra ou do mundo superior que já tenhamos desbloqueados. Isto é um recurso que vamos utilizar com frequência para recuperar já que as masmorras são enormes e parte importante da jogabilidade é recolher vários itens para utilizar no atelier. A alquimia desempenha um papel importante. Os jogadores que já tenham jogado um jogo da série Atelier estão habituados a criar e gerir itens. Isto acaba por ser um sistema em si próprio com os seus minijogos. Temos de criar itens para completar várias missões secundárias e equipar as nossas personagens adequadamente. Uma das grandes diferenças entre este e os jogos da série Atelier que joguei é a capacidade de explorar debaixo de água, mas isso requer alguns itens especiais que apenas conhecemos mais para a frente no jogo. O novo sistema de alquimia é bastante mais complicado do que eu estava habituado e além do tutorial do jogo eu recomendaria encontrar algo na internet mais detalhado já que apesar da importância do combate e exploração, é a alquimia o segredo para tornar a vossa vida mais fácil aqui. O jogo pede constantemente para criarmos itens e passamos muito tempo a seguir receitas e experimentar na tentativa de descobrir algo novo. É um sistema demorado e lento que pode não agradar a todos os jogadores, mas não deixa de ser bom naquilo que faz e muitos jogadores irão encontrar este sistema muito bom.

Visualmente como já referi é fenomenal, especialmente quando comparado com os outros jogos da série que joguei antes. As batalhas são o destaque visual já que apresentam efeitos de ataque divertidos e movimentos excessivamente dramáticos. O jogo sofre de alguns problemas de interface e funcionalidade. Os problemas com os tutoriais acabam por ser o presságio de que isso seria um problema e este é um daqueles jogos que depois de encontrar forma de fazer o que queremos tudo é simples, mas encontrar a forma não é de todo óbvio. No geral este novo Atelier Ryza 2 é uma aventura refrescante para os fãs de JRPGs e da série Atelier.

Tiago Roque

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