Análise: Encodya

O percurso de Encodya é um pouco diferente do percurso de outros jogos. Encodya começou como uma curta de animação chamada “Robot Will Protect”, chegando agora aos jogadores na forma de uma aventura 2.5D point-and-click. Visualmente é uma mistura do futuro visto em filmes como Blade Runner com a qualidade da animação e história dos estúdios Ghibli e a mistura não podia ser melhor. O jogo decorre em Neo-Berlin e nas suas ruas difíceis em 2062, focando-se em Tina, uma órfã de 9 anos que vive na rua e SAM-53, o robô designado para protegê-la. Localizando acidentalmente uma mensagem para o seu 10º aniversário na memória de SAM do pai que ela nunca conheceu.

Encodya tenta oferecer algum comentário social, não tanto político como os regimes autoritários que normalmente encontramos neste tipo de jogos, mas sobre como as instituições públicas e privadas controlam as nossas vidas através dos meios de comunicação. Neo-Berlin é uma cidade opressora e com atmosfera sombria. Não temos aqui um futuro high tech onde todos viajam nos seus carros autónomos e vivem em torres nas núvens, mas sim num cenário desolador e estética visual adorável dá vida a uma cidade deprimente. Vamos explorar os vários bairros de Neo-Berlin, que variam de um setor empresarial cheio de lojas, apartamentos residenciais e mais. Tudo começa com tarefas simples, como encontrar um novo par de meias para Tina e vai progredindo até à investigação sobre o desaparecimento do seu pai. Em termos de mecânicas não esperem algo muito diferente, Encodya é um jogo muito semelhante a todos os outros do mesmo género, mas com o seu charme e história diferente.

Encodya lista os seus objetivos mas o que é preciso ser feito para executá-los raramente fica claro. Isto é muito normal dentro do género, mas sinceramente é a razão porque o género tem desaparecido com o tempo. O género precisa de modernismo e de formas de se tornar mais acessível. Aqui infelizmente muito do progresso vem à custa de muita tentativa e erro, o que significa passar muito tempo a olhar ao redor de Neo-Berlin tentando descobrir como proceder. Considerando que há mais de 100 locais para explorar isso pode ser demorado e facilmente nos perdemos. Para os mais interessados ​​na história, existe felizmente um modo fácil está disponível, mas que não muda muito já que pouco mais faz do que dar algumas dicas a Tina através do SAM, dicas essas que não ajudam muito também.

Encodya não é um jogo longo, com cerca de 10 horas mas quando andamos perdidos acaba por se tornar bem mais longo, mas sem conteúdo para suportar esse incremento de duração. Felizmente a história é encantadora. SAM e Tina são boas personagens, simpáticos e acompanhados por um divertido elenco de personagens secundários. Tina tem sempre bom coração e faz o seu melhor com aquilo que a vida lhe oferece. Encodya tem também um grande sentido de humor e apesar de não ser o modernismo que o género precisa tem uma história envolvente e se gostam do género é um excelente jogo.

Tiago Roque

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