Análise: Lonely Mountains: Downhill

Lonely Mountains: Downhill é um jogo de downhill onde essencialmente descemos uma montanha de bicicleta. O nome poderia levar a alguma confusão com uma montanha saída dos livros de J.R.R. Tolkien mas aquilo que aqui temos é um jogo muito zen, onde vamos acedendo a vários percursos e montanhas e que repetímos várias vezes para cumprir uma série de objetivos cada vez mais difíceis. Ao contrário de outros jogos não há um adversário de IA e não são os percursos que se vão complicando, mas sim objetivos, já que cada trilho tem cinco níveis de dificuldade. O primeiro nível ajuda-nos a ficar a conhecer o trilho e neste objetivo temos apenas de chegar ao fim, na segunda dificuldade já temos um limite de tempo e um número de quedas que podemos dar e a partir daí vemos um agravamento dessas metas.

Mesmo que não sejam propriamente fãs de bicicletas não há muita margem para não gostar de Lonely Mountains: Downhill. O jogo é realmente agradável de jogar, com muito poucas doses de frustração. Lonely Mountains: Downhill explica exatamente o que é no próprio título do jogo. É um jogo de Downhill em montanhas solitárias porque somos sempre os únicos no trilho. A parte Lonely do jogo é até parte do apelo do jogo. Cada trilho de montanha fornece uma esplêndida sensação de isolamento e o som da montanha. Os visuais minimalistas ajudam a manter toda a experiência realmente leve e jogabilidade também pouco faz para complicar as coisas e o resultado final é bastante zen.

Mas Lonely Mountains: Downhill não tem medo de lançar alguns socos na nossa direção e o som que normalmente quebra a paz que vai no ar é o estalo de metal e osso quando caímos de uma ponte ou tentamos atravessar um calhau de 100 toneladas à cabeçada. Embora haja uma qualidade definitivamente zen em Lonely Mountains: Downhill, não é um jogo em que simplesmente olhamos para as paisagens. Se não querem perder muito tempo em cada trilho convém que a corrida inicial valha mesmo a pena já que mesmo o tempo acessível do nível de dificuldade seguinte pode obrigar a suar um pouco. Com essa abordagem cada uma dos 16 trilhos do jogo está aberto a muita aprendizagem, já que é rico em atalhos, alguns deles óbvios, outros nem por isso e outros até que só descobrimos ao termos um acidente apenas para pensarmos para nós próprios, secalhar consigo descer por ali.

Tudo isso valeria pouco se Lonely Mountains: Downhill não fosse divertido de jogar, mas felizmente é, especialmente porque também é realmente simples. O gatilho direito acelera, o esquerdo trava e depois temos um botão para darmos algumas pedaladas extra que nos dão um pequeno boost. O sistema de direção é crucial para criar uma boa imersão já que virar um pouco a mais faz a bicicleta derrapar um pouco e por vezes é mais eficaz do que carregar no travão. O jogo permite dois esquemas de controlo no que toca à direção. Podemos virar para a esquerda ou direita para controlar a direção ou apontar o analógico para a direção que queremos ir. Pessoalmente a primeira funciona muito melhor.

Lonely Mountains: Downhill é um jogo bonito, acessível e capaz de transmitir uma calma imensa. Além de pequenos inconvenientes na física do jogo não detetei nenhuma falha e no geral é um jogo que deve correr em praticamente todos os PCs graças ao estilo low-poly. Se procuram um jogo calmo dificilmente encontrarão um que consigo tão bem equilibrar a calma com uma jogabilidade viciante como Lonely Mountains: Downhill.

Tiago Roque

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