Análise: Ocean’s Heart

The Legend of Zelda é um dos jogos mais influentes de sempre. A jogabilidade clássica consegue passar um sentimento de aventura como poucos jogos conseguiram e mesmo décadas depois consegue ser um dos da NES que ainda se consegue jogar sem sentir a idade, algo que poucos conseguem e pessoalmente apenas Super Mario Bros tem essa capacidade. Atualmente muitos jogos procuram inspiração em aventuras da saga The Lengend of Zelda, mas de jogos mais recentes, seja do primeiro jogo 3D da série como Ocarina of Time ou ainda mais recentes como The Wind Waker. Tudo isto serve para dizer que Ocean’s Heart é um jogo muito inspirado em The Legend of Zelda, mas mais propriamente nos primeiros jogos 2D da série.

Conseguimos ver exatamente de onde em a inspiração de Ocean’s Heart e principalmente onde quer chegar. Desde os recipientes de coração e medidor mágico, os itens do botão contextual e até ao inventário, tudo parece saído do mundo de Hyrule, mas Ocean’s Heart não é um clone e há muita personalidade própria do jogo. As várias ilhas que visitamos têm designs distintos e contêm uma variedade surpreendentemente grande de diferentes inimigos. Os inimigos podem ter inspiração no mundo de Zelda, mas nada parece uma cópia. Ocean’s Heart faz também um uso fenomnal da cor, com fundos brilhantes e sinceramente posso dizer já que a arte pixel do jogo é fantástica. Mas o jogo mistura com toda esta luz alguns momentos mais escuros, o que o torna bastante dinâmico. O jogo está conectado, mas não é um único mundo aberto que podemos explorar. Se visualmenteo Ocean’s Heart não desaponta, também asua banda sonora é muito forte, embora as músicas sejam mais atmosféricas do que memoráveis. Os efeitos sonoros adicionam algumas explosões substanciais e golpes de espada, bem como alguns efeitos de clima mas o estilo clássico não abre espaço a muito mais do que isso e caso existissem coisas como vozes acho que tudo parecia um pouco estranho.

A história de Ocean’s Heart é boa mas é apenas boa suficiente para nos manter interessados já que além de nunca parecer particularmente original também não acho que eu me vá lembrar de praticamente nenhuma parte da história daqui a algumas semanas. A protagonista, Tilia, deixa a sua cidade natal, Limestone, para procurar o seu pai após um ataque pirata. Quando recebemos a nossa primeira arma e aprendemos a explorar as terras para procurar áreas escondidas, começamos a encontrar mais e mais paralelos com Zelda. O desbloqueio gradual de habilidades e itens também é muito Zelda e praticamente todas as armas do jogo são comuns aos dois jogos. Há por outro lado elementos que são completamente de Ocean’s Heart mas no geral o jogo preocupa-se mais em ser uma homenágem do que a ser original. Ao viajar a pé pelas várias partes do arquipélago descobrimos portos que servem como pontos de viagem rápida e que garantem que não temos de passar pelas áreas mais difíceis do jogo muitas vezes.

O jogo oferece também um sistema de crafting bastante rudimentar, mas que oferece uma razão para lutar contra os vários inimigos e procurar plantas específicas. Não ganhamos dinheiro nem corações em combate, mas podemos vender itens criados e encontrar dinheiro em baús ou como recompensas de missões. A saúde é recarregada por plantas comestíveis ou poções. As primeiras horas de Ocean’s Heart parecem um pouco dependentes das suas influências Zelda, mas quando o jogo começa a mostrar as poucas mas boas ideias próprias, acaba por se tornar um bom jogo do género que é dominado pelo jogo da Nintendo. O design e a exploração das masmorra são muito bons também, sem muitas seções excessivamente obscuras ou complicadas, mas tendo profundidade, oferecendo até lutas contra bosses opcionais.

Num género de tal forma dominado e influênciado por The Legend of Zelda, é muito difícil um jogo aparecer e não ser comparado ao jogo da Nintendo. Ocean’s Heart consegue no entanto oferecer um bom equilibrio entre a jogabilidade e design esperado do género e as suas ideias próprias. Não existe aqui uma história memorável que irão recordar muito tempo, mas há muita coisa aqui para gostar se gostam verdadeiramente do género.

Tiago Roque

Leave A Comment