Análise: Super Meat Boy Forever

Super Meat Boy é um dos principais clássicos do universo indie. A popularidade do jogo é invejável e até o seu processo de criação foi parte central de um documentário bastante conceituado. Onze anos depois do lançamento original continua a ser um jogo popular e muito jogado pelos seus fãs que tal como em Super Mario Bros tentam cortar um ou dois segundos aqui e ali em cada nível e competem para quem consegue o melhor tempo. 2010 foi um dos anos mais fortes dos lançamentos indie e talvez quando a cena indie realmente começou e foi um período em que os jogadores devem lembrar com alguma nostálgia, onde a indústria era apesar de tudo muito diferente da atual. Super Meat Boy foi um trabalho de amor de dois amigos, Edmund McMillen e Tommy Refenes. que trabalharam incansavelmente para criar o jogo que eles gostariam de jogar e que se tornou um super sucesso vendendo mais de um milhão de cópias nos primeiros dois anos de lançamento.

Mais de uma década depois, a Team Meat, sem McMillen desta vez, chega a sequela de Super Meat Boy, Super Meat Boy Forever. No rescaldo da aventura anterior, Meat Boy e Bandage Girl criaram uma vida confortável juntos, vida essa que conta agora com Nugget, o seu bastante quadrado filho. Esta vida pacífica é destruída com o regresso do nefasto Dr. Fetus, que começa a sua vingança ao levar embora o pequeno Nugget durante um piquenique. Assim começa Super Meat Boy Forever, mas cedo vemos que este Super Meat Boy Forever é bastante diferente do jogo original que conquistou tantos jogadores. Longe ficam os comandos destruídos de raiva já que neste jogo pouco mais precisamos do que um único botão e alguns toques rápidos no D-pad. Super Meat Boy Forever tem uma abordagem totalmente diferente do seu antecessor, sendo contaminado pelo virus do mobile e tornando-se um auto-runner.

Alterando completamente o estilo central do jogo original, Super Meat Boy Forever coloca os nossos herós a correr de cabeça para o perigo, com os jogadores apenas a controlar os saltos, escorregar pelo chão e um punhado de ataques como socos. Fora isso é um jogo onde temos temos uma fração de segundo para reagir, um pouco como o original, mas sem metade da qualidade. Além da mecânica de execução automática simplificada, Super Meat Boy Forever também nos presenteia com níveis gerados de forma procedural, com cada nível a ser composto de vários pequenos pedaços criados manualmente e juntos aqui, com a escolha a ser feita através de um conjunto impressionante de mais de 7.000 peças. A variedade é impressionante sim, mas se por um lado de perde a qualidade de um nível criado e aperfeiçoado à mão, também se perde a comunidade de jogadores que aprendia junta como melhorar em cada um dos nível.

Não há como fugir ao facto de que tudo isto irá dividir os jogadores. Mesmo depois de mais de 10 anos de vida, Super Meat Boy é um jogo ainda jogado por muitos fãs e estas ideias implementadas aqui irão fazer certamente com que muitos não façam o salto para este novo jogo. Embora os novos níveis permaneçam difíceis, na maioria das vezes o sucesso resume-se na grande maioria dos casos em tentativa e erro. Enquanto Super Meat Boy oferecia espaço para respirar com o qual traçar um plano de ação, resultando num caminho satisfatório para a conclusão de uma única vida, este novo Super Meat Boy Forver tem seções que simplesmente precisam de várias mortes, com a mecânica de corrida automática a forçar o jogador a correr repetidamente numa parede até que aprenda o caminho curso correto. Havia muita tentativa e erro no jogo original, mas havia espaço para pensar, algo que desapareceu por completo aqui. Isso não quer dizer que Super Meat Boy Forever não ofereça uma experiência emocionante ou agradável, já que quando as partes do nível funcionam bem juntas os níveis são realmente muito bons. Mas por muito boas que as partes sejam, nem sempre a soma delas é realmente boa.

Uma característica de destaque são as lutas contra bosses de Super Meat Boy Forever. É aqui que o jogo realmente ganha vida e todas estas batalhas são fenomenais. Algo que não se perdeu é o facto de também Super Meat Boy Forever ter visuais brilhantes, oferecendo um mundo atraente que ganha vida através de modelos de personagens lindamente animados apesar dos designs simplistas. A banda sonora por outro lado é inferior à do jogo original e pessoalmente tinha preferido que simplesmente tivessem reútilizado essa. Super Meat Boy Forever é um corredor automático sólido, oferecendo muito mais do que seria de esperar de um jogo do género. Infelizmente é a sequela de Super Meat Boy, um dos jogos indie mais aclamados de sempre e ser um bom auto-runner simplesmente não chega.

Tiago Roque

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