Análise: Yaga

Yaga é um jogo de ação onde controlamos Ivan o ferreiro. Este está a ultrapassar uma fase difícil, já que Ivan é um pouco azarado e acaba com o braço cortado pelo cotovelo e foi ordenado pelo czar a perseguir uma maçã mágica. A sua familia também não ajuda e não há dia que não oiça que já deveria ter arranjado uma mulher. O resultado é Yaga, um jogo que mistura uma série de elemtnos familiares num jogo bastante original. Yaga foco-se muito na sua narrativa e no design das missões e embora essas missões sejam simples e focadas em busca, elas tendem ser compostas de muitas reviravoltas, o que torna o jogo bem mais interessante e menos linear. O jogo também vai buscar alguns elementos ao género roguelite, o que tudo junto ajuda a criar um pacote bem composto e interessante.

Na maioria vamos na mesma continua a defrontar criaturas bastante normais e a ação básica é, bem, básica. O martelo de Ivan pode ser melhorado em qualquer bigorna que ele encontrar nas suas viagens utilizando os vários itens largados pelos inimigos. Temos uma combinação de três golpes que se mantém durante todo o jogo, um lançamento semelhante a um bumerangue que pode atingir inimigos mais distantes tanto à ida como no seu regresso até Ivan e algumas outras ferramentas. Nenhuma dessas técnicas funcionam em conjunto para criar um combate verdadeiramente satisfatório e parte disso é culpa do design do jogo. Ao se assemelhar muito a um livro pop-up animado torna todas as personagens totalmente planas e como resultado as hitboxes são extremamente imprecisas. Este tipo de desenho funciona realmente bem em Paper Mario, mas Yaga é um jogo muito mais focado no combate e aqui o design é utilizado com muito menos sucesso.

Grande parte do jogo não é muito complicado mas o esquema de combate de arena em que tudo se fecha até que todos os inimigos sejam derrotados acaba por envelhecer rápido. Cada mapa é também muito grande, cheio de becos sem saída e tende a reciclar o mesmo pequeno grupo de inimigos. Fora do combate há uma grande quantidade de sistemas interessantes em ação. Há um medidor de má sorte que é afetado por certas escolhas de conversação e estilos de jogo, existem bênçãos que nos dão alguns buffs modestos e também afetam o medidor de azar. Quando o medidor estiver cheio, somos atacados por um espírito demoníaco imparável que normalmente destroi as nossas armase até rouba alguns itens. A realidade é que é preferir tentar ao máximo não enxer este medidor. Porém, nem todas as mecânicas de Yaga são tão mal pensadas como essa. A má sorte também é mantida sob controle ao representar a personalidade de Ivan, encorajando a seleção inteligente dos diálogos. Ser justo e bom é essencialmente a melhor forma de evitar a má sorte, assim como evitar usar as bençãos.

Yaga é baseado no folclore eslavo, com a própria Baba Yaga a ter um papel ativo ao longo da história. Infelizmente o jogo parece remeter toda essa inspiração para a história e arte, já que o resto dos elementos é bastante tradicional e ocidental, até nas próprias vozes do jogo. Os criadores deveriam realmente explorar esse lado do jogo com muito mais profundidade já que é algo realmente fresco na indústria e há muito pouca concorrência nessa mitologia. Apesar de visualmente forte, como já referi a jogabilidade não funciona bem juntamente com o estilo visual, mas a banda sonora é realmente forte. Yaga usa uma mistura de hip-hop com música folk e vocais e sinceramente é o elemento do jogo que mais facilmente vou recordar.

Yaga tem sistemas e ideias interessantes aos montes, infelizmente nem tudo funciona em conjunto. O jogo também sofre de alguma falta de polimento e os problemas no combate que já referi, mas Yaga é sem dúvida um jogo do qual os fãs do género vão gostar. Algumas das suas qualidades mais brilhantes podem ser suficientes para justificar a compra, apenas têm que ter alguma paciência para se habituarem ao combate, trabalhando à volta das suas falhas para poderem aproveitar o jogo ao máximo.

Tiago Roque

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