Análise: BPM: Bullets Per Minute

Maior parte dos jogos de tiro sempre tiveram uma pequena componente de ritmo envolvido, mas BPM: Bullets Per Minute eleva esse conceito para criar todo um jogo baseado nessa ideia. Quando jogamos com uma metralhadora num jogo fácil normalmente não nos preocupamos muito com o ritmo, mas um revolver por exemplo normalmente implica carregar no gatilho na altura certa para disparar o máximo de balas possível em menos tempo, tendo atenção a cronometrar o carregamento e primeiro disparo seguinte. Ser bom neste jogos normalmente implica ter tudo isto em conta enquanto apontamos ao mesmo tempo.

BPM: Bullets Per Minute da Awe Interactive pega em mecânicas de jogos musicais de ritmo e pede aos jogadores que façam tudo o que costumam fazer num FPS mas ao ritmo de uma batida de fundo. Se este perder o ritmo, bem, perde, normalmente para inimigos cujos ataques também são sincronizados. Pode parecer estranho e complicado demais, mas a realidade é que assim que começamos a jogar vemos que não é tão distante daquilo que já vamos fazendo nos jogos que fomos jogando ao longo do tempo.

BPM é um shooter sobre valquírias que defendem Asgard de invasores, mas a sua jogabilidade é bem mais próxima de um simulador de bateria. Disparar e recarregar são os nossos instrumentos e as habilidades secundárias, como feitiços de raio completam o nosso arsenal de percursão. O combate funciona em cima da banda sonora baseado num rock eletrônico, mas cada arma tem a sua própria música e ritmo. Apesar de tudo parecer mais ou menos simples e familiar, BPM requer algum treino para afinal o timing das armas e da jogabilidade como um todo.

Cada um dos 10 níveis de BPM tem uma música de fundo fixa e os níveis mudam constantemente, utilizando muitos elementos de roguelike misturados com a temática inspirada na mitologia nórdica. Além de aprender o ritmo, o sucesso no jogo envolve a compreensão da lógica por trás dos elementos dos níveis. Basicamente manter simplesmente o ritmo e ter boa pontaria não será suficiente e chega a um ponto que tudo o que sabemos sobre o género roguelike é necessário.

Esta aleatoridade que marca o género, leva a picos de dificuldade que nos fazem esquecer a parte rítmica do jogo, o que acaba por ser a receita para o fracasso. Felizmente o jogo tem a opção de automatizar o ritmo, opção essa que é uma concessão importante à acessibilidade, mas torna BPM um jogo completamente banal. Felizmente o jogo sabe isso e deixa-nos desactivar esta opção sempre que nos voltarmos a sentir mais confortáveis.

BPM: Bullets Per Minute é um jogo muito interessante que mistura muitos conceitos mas que acabam por funcionar realmente bem em conjunto. Nem tudo o que apresenta é revolucionário ou será o próximo standard da industria, mas há aqui muitos elementos originais que fazem de BPM: Bullets Per Minute um jogo muito divertido e refrescante.


Tiago Roque

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