Análise: Code: Realize ~Wintertide Miracles~

Apesar de eu não ser o público alvo do género otome, consigo ver a diferença entre uma boa história e uma má. Este género é muito próximo de uma visual novel e não há muito em termos de jogabilidade, sendo a história o mais importante. Facilmente consigo entrar dentro do jogo e tentar aproveitar a história, mas neste caso não posso dizer que o tenha conseguido. Code: Realize ~Wintertide Miracles~ não é o primeiro jogo da série e isso por si já tornaria as coisas complicadas num jogo deste género, mas aqui ainda se agrava mais já que Code: Realize ~Wintertide Miracles~ é um suplemento e além de assumir que sabemos a história do jogo principal e do primeiro suplemento lançado anteriormente, consiste exclusivamente em acresentar a essas mesmas histórias.

Infelizmente não tenho tempo para investigar a história dos jogos anteriores e o preço destes é para mim um pouco proibitivo para correr através dos dois como preparação. A realidade é que é muito difícil perceber a história de Code: Realize ~Wintertide Miracles~ sem ter jogado o jogo principal. Estes jogos suplementares são exatamente isso e a própria organização do jogo assemelha-se bem mais a um menu extra do que a um jogo tradicional.

Code: Realize ~Wintertide Miracles~ é uma espécie de conto de Natal em Steel London e o jogo está dividido em três seções principais., sendo a primeira um triangulo de encontros. Fiel ao seu nome, este é literalmente um modo em que Cardia e dois cavalheiros passaram algum tempo juntos. Neste modo podem escolher um dos cinco principais solteiros que quiserem, com cada combinação produzindo um resultado totalmente diferente. Os encontros são curtos, como todo o jogo no geral e até divertidos de jogar. O meu principal problema com o jogo é definitivamente o facto de não conseguir seguir nada na história porque não joguei os anteriores.

Depois temos o modo “Primeiro Natal” que não precisa de grande explicação. É uma história alternativa que permite que os jogadores escolham um dos cinco solteiros principais para viver um romance de Natal. Este modo não parece ter grande ligação aos restantes eventos do jogo e parece ser essencialmente um modo “e se” que podemos jogar e esquecer a seguir. Por fim temos o que é indiscutivelmente a parte do jogo com mais conteúdo, os epílogos e uma história paralela. Na parte inferior da árvore do cenário, os jogadores são capazes de jogar através de dois epílogos exclusivos e que ao contrário das outras histórias apresentadas em Wintertide Miracles é canónica e realmente obriga a que conheçamos a história do jogo base.

A vasta maioria do conteúdo de Code: Realize ~Wintertide Miracles~ obriga que o jogador tenha jogado o Code: Realize original. Não vale a pena entrar em mais detalhe porque iria ser injusto com o jogo e sem importância nenhuma. Os valores de produção do jogo são realmente bons, assim como a escrita, mas Code: Realize ~Wintertide Miracles~ tem um público alvo muito expecífico, no qual não me encontro.

Tiago Roque

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