Análise: Mutropolis

Os jogos de aventura point-and-click estão longe da popularidade que tiveram na década de 80 e 90. Os grandes clássicos do género foram dessa altura e no geral houve muita pouca evolução além de gráficos e até a TellTale modificar por completo o género, retirando o foco nos puzzles e focando-se essencialmente na história e quicktime events. Mutropolis não se foca muito nessas inovações e é um jogo muito semelhante aos clássicos, mas aquilo que lhe pode faltar em inovação compensa em qualidade.

Mutropolis tem como palco o futuro longínquo, onde a civilização foi destruída por um misterioso cataclismo. Aqui jogamos como o Dr. Henry Dijon, um arqueólogo de Marte. A civilização espalhou-se pelo sistema solar antes do cataclismo acontecer e ficou por milhares de anos longe até que fosse seguro voltar à Terra. Durante uma expedição às ruínas da terra, o seu mentor é sequestrado e a nossa missão passa a ser resgatá-lo, encontrando pelo caminho a cidade perdida de Mutropolis, uma cidade que só existe em lendas.

Mutropolis não é um jogo muito longo, especialemente se forem veteranos no género. Caso seja um dos primeiros jogos de aventura point-and-click que jogam podem contar com uma experiência mais longa graças aos enigmas obscuros do jogo. De forma mais ou menos corrida podem contar com cinco ou seis horas de jogo, mas correr através dos puzzles do jogo não é fácil por causa da lógica absurda que o jogo usa. Isto é algo que o género tem usado e abusado e sinceramente não gostava à 20 anos, nem à 10 e certamente não gosto agora. Alguma aleatoriedade para dar algum humor extra ao jogo é bem vinda, mas um jogo em que todos os puzzles não fazem sentido pode ser frustrante. Embora os resultados dos puzzles acabem por fazer sentido depois de concluídos, chegar à solução é tão mais complicado do que devia que só posso criticar. Isto faz com que as cinco horas que referi facilmente se tornem quinze ou façam como eu, usem um guia.

As personagens e o mundo de Mutropolis são realmente bons, no entanto, parece existir muito mais para explorar. A premissa e história de fundo do mundo é interessante, mas perdemos mais tempo a ultrapassar puzzles sem sentido do que a explorar o mundo do jogo e isso é que valeria a pena. As personagens são um pouco unidimensionais e um pouco clichés. Há o nerd, a loira a bruta que afinal é sensivel e todo um role de personagens de copiar colar. O humor felizmente é bom e único e existem momentos verdadeiramente divertidos.

A arte de Mutropolis é adorável, mas acaba por ficar aquém daquilo que era possível, De uma forma estática o jogo funciona realmente muito bem, mas quando as cenas pediam alguma animação extra, tudo parece demasiado parado e aborrecido.

Mutropolis é uma proposta razoável dentro de um género que já atingiu o seu potencial ou pelo menos é o que os criadores nos levam a crêr ao não apresentar nada de revolucionário há muito tempo. Algumas escolhas dos criadores também acentuam alguns dos problemas conhecidos do género, mas se são fãs irão gostar de muito o que Mutropolis tem para oferecer.

Tiago Roque

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