Análise: Ultimate ADOM – Caverns of Chaos

ADOM ou Ancient Domains of Mystery tem uma longa história e uma grande legião de fãs graças essencialmente ao primeiro jogo. O original pode ser demasiado arcaico para os padrões atuais, mas a verdade é que as novas versões tiveram que simplificar alguns dos sistemas para tornar o jogo mais atual e apelativo. Ninguém está realmente à espera de jogar um jogo em que o aspeto visual se baseia em caracteres de texto. Também verdade é que Ultimate ADOM é o resultado de praticamente 25 anos de desenvolvimento. O ADOM original tornou-se um dos melhores e mais abrangentes roguelikes de sempre, mas ADOM é mais que um roguelike, sendo quase um baú de uma era e a quantidade de elementos disponíveis é impressionante. A regras complexas podem assustar, mas não existem muitos jogos que tenham tanto para retribuir aos jogadores que investirem o seu tempo nele.

Ultimiate ADOM – Coverns of Chaos encontra-se neste momento em acesso antecipado na Steam e apresenta um esqueleto com mecânicas simplificada e uma mão cheia de erros e falhas daquilo que os criadores pretendem apresentar no futuro. Torna-se realmente complicado analisar Ultimate ADOM – Caverns of Chaos sem ser demasiado duro com o jogo. Se por um lado temos que perceber que o jogo ainda está em acesso antecipado, por outro lado o jogo está à venda e mesmo em acesso antecipado deveria estar bem mais avançado e polido do que está. Ultimate ADOM parece também estar a ir numa direção diferente, mantendo as ideias de dungeon crawler com criação de personagens, masmorras geradas aleatóriamente e muitos monstros, itens e feitiços, mas também está a mover-se numa direção mais acessível com mecânicas mais simples. O género evolui muito desde o primeiro jogo e sinceramente vejo isso com bons olhos.

Além da quantidade muito limitada de conteúdo, faltam muitos mecanismos e recursos, desde opções que parecem estar presentes mas não vão a lado nenhum até itens que não fazem absolutamente nada. Podemos escolher uma facção ao criar uma personagem, mas não há nada associado a ela. Além de a escolha da fação parecer não ter impacto nenhum, alguns monstros parecem nem sequer ter nome associado. O principal problema é que o estado do Ultimate ADOM é terrível. A um nível técnico podemos contar com uma UI fraca, muitas vezes não oferecendo informações útil e quando oferece, por vezes errada. O movimento é de apenas em quatro direções em vez de oito e muitas configurações que deveríamos poder fazer não estão ainda implementadas.

O jogo também gera erros aleatórios e por vezes o jogo vai abaixo e torna-se lento sem razão. Não há razão lógica para muitos erros e poderíamos pensar que seria um local ou algo em concreto a falhar mas é completamente aleatório. Por outro lado o conteúdo que está presente é promissor e algumas ideias são muito interessantes. Os visuais do jogo são nítidos e coloridos, a música é cativante, as habilidades são variadas e para os fãs do género parece existir muito de bom aqui. Infelizmente parece que tudo o que é de bom aqui pode ser caracterizado com, será bom no futuro. Ultimate ADOM parece ir por um caminho simplificado, mas isso pode trazer mais jogadores e por consequência mais dinheiro para os criadores e essa complexidade do jogo original pode voltar em forma de updates e DLCs por exemplo.

Se são fãs do jogo original ou do género, Ultimate ADOM – Caverns of Chaos pode ser o que procuram, mas é importante realçar o pode. O pode aqui não é uma dúvida relativamente ao vosso gosto pessoal, mas sim à capacidade dos criadores de chegarem onde querem e resolver os problemas atuais do jogo. Se acreditam realmente no projeto podem apoiar o jogo participando nesta fase de desenvolvimento e pode ser algo que vão realmente gostar. Se o jogo apresenta muitas incógnitas neste momento para gastarem dinheiro nele, também é completamente compreensível.

Tiago Roque

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