Análise: Afterpulse

Afterpulse é um shooter lançado agora na Nintendo Switch depois de ter sido lançado para dispositivos móveis em 2019. Não há grande coisa que distinga Afterpulse de outras dezenas de jogos do género que inundam a Playstore da Google por exemplo, com os seus soldados genéricos e mapas pouco memoráveis. Mas nem tudo é mau em Afterpulse e existem aqui elementos que poderiam ser aproveitados para criar uma experiênia realmente única, especialmente em mobile, no entanto na sua forma atual Afterpulse não tira proveito do salto para uma consola dedicada.

Afterpulse não tem uma história e sinceramente dada a natureza genérica caso houvesse uma história seria fácil de ignorar e seria tão genérica como muitos dos mapas. Mas há elementos de boa qualidade. Existem armas e skins com realmente bom aspeto, simplesmente não há nada de muito original aqui. No geral o jogo tem realmente bom aspeto e quando entramos efetivamente no jogo propriamente dito os gráficos também são bastante bonitos, talvez não impressionantes ao ponto de em pensar que não poderia correr na Switch, mas bonitos e mesmo quando comparados com o que nos é mostrado nos menus, não existe grande diferença. Também podemos montar uma arma única, mas a perspectiva em terceira pessoa significa é trabalho irrelevante, já que acabam todas por parecer iguais.

Um dos principais problemas de Afterpulse é que não mudou praticamente nada desde o seu lançamento para mobile. Alguns jogos podem viver bem com isso, mas pedia-se mais de um jogo como Afterpulse nesse aspeto. O jogo resume-se a um loop de jogabilidade, mover, apontar, disparar. Apontar é simples, mas melhorar a pontaria só pode ser feito através de aproximação, o que nos coloca obviamente em perigo. A movimentação das personagens também resume-se a encontrar formas de atacar os inimigos. Não há grande razão para explorar ou encontrar proteção. O jogo ao disponibilizar mobilidade como atributo de algumas armaduras mostra que não conhece bem o seu sistema de combate, já que a proteção é de tal forma mais importante que a mobilidade que tornam todas essas armaduras irrelevantes.

Além destes problemas, Afterpulse também tem problemas de estabilidade. Até hoje nenhum jogo me tinha bloqueado a consola ou simplesmente desistido e voltado ao menu até Afterpulse. Também existem outros bugs, alguns visuais e outros no desenrolar do combate, com jogos em que não conseguimos infligir dano por exemplo. Felizmente o jogo é pelo menos rico em opções de armamento e armaduras. Existem muitas opções para desbloquear. As armas são diferenciadas através do sistema de estrelas do jogo e em teoria quanto mais estrelas melhor será a arma. Cada armadura também vem com um ou dois modificadores de estatísticas únicos que devemos ter em conta ao escolher que equipamento utilizar.

O equipamento é desbloqueado através caixas recebidas após as partidas e missões, mas também as podemos comprar com dinheiro real. As microtransações foram principalmente pensadas para a versão mobile, mas infelizmente a Switch também as recebe. Não faltam itens cosméticos, mas infelizmente esse parece ser o foco dos criadores do jogo. Podemos melhorar os nossos itens favoritos e infelizmente nota-se demasiado durante o jogo, criando grandes desiquilíbrios. Infelizmente o jogo obriga a muita repetição para desbloquear novos itens e não oferece diversão suficiente que justifique este investimento de tempo.

Afterpulse tem bom aspeto, mas tudo o que nos tem para oferecer pode ser visto no primeiro jogo que fazemos. A jogabilidade não tem grande profundidade e ficou com demasiadas raizes na versão mobile. Muitos dos elementos do jogo são bastante genéricos e no geral Afterpulse deixa-nos a pensar que já jogámos isto tudo, mas melhor.

Tiago Roque

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