Análise: Loop Hero

Penso que já disse isto várias vezes, mas convém continuar a realçar. A Devolver Digital tem neste momento um dos portfolios de jogos indie mais interessantes do mercado. A originalidade dos seus jogos é certamente permeditada e incentivada e não me consigo lembrar de um jogo publicado pela Devolver Digital que seja mau ou aborrecido. Não quero com isto dizer que não existem, mas pessoalmente não me consigo lembrar de um que tenha passado pelas mãos.

Essencialmente Loop Hero é uma reimaginação do género “idle”. Este género é um muito mais prevalente no mundo mobile do que no PC ou consolas e por isso olhei para Loop Hero de forma um pouco desconfiada, mas a forma como a Loop Hero transforma o género é realmente interessante e surpreendente. O jogo começa com o nosso herói a acordar com amnésia. Com uma única estrada à sua frente, o nosso herói avança, procurando lembrar-se de quem é e sem saber que é um loop, descobrindo mais monstros e armas cada vez mais poderosas a cada novo loop.

No que toca à jogabilidade, Loop Hero resume-se como os jogos Idle que referi a ter atenção aqui e ali, principalmente ao início narrativo e depois o jogo desenrola-se essencialmente de forma automática. O movimento do do nosso herói segue ao longo de um loop com o herói e os inimigos aparecendo como ícones e sempre que o herói se aproxima de um inimigo, abre-se uma janela de batalha. também essa automática. Como referi acima, Loop Hero é realmente interessante, pelo que isto não poderia ser tudo o que Loop Hero tem para oferecer. Os inimigos fracos que o nosso herói derrota deixam itens como equipamentos equipáveis que basicamente melhoram as nossas estatísticas- As cartas que também podemos recolher interagem com a ideia de amnésia do jogo e trabalham a ideia de que o jogador precisa de reconstruir o seu mundo. Alguns pontos de referência adicionam bónus, enquanto que outros irão adicionar novos monstros mortais à rotação.

O jogo começa realmente quando percebemos que temos de colocar pontos de referência no loop para refrescar a memória e é esta mecânica que nos permite tornar a personagem mais forte avançar no jogo. Refrescando a memória do nosso heróio suficiente e encontramos um boss que será adicionado ao loop. A cada novo loop, tudo começa de novo e temos de acumular novos equipamentos, colocar novos marcos e procurar um novo boss. Colocar todos os pontos de referência mais complicados num único canto de um loop não irá resultar porque precisamos de ter em atençao a forma como os marcos podem interagir uns com os outros. Vamos continuar até que o herói morra ou recue já que podemos optar por recuar e assim levar todos os itens de volta.

Ao contrário do loop perigoso em que o nosso herói anda sozinho, o acampamento está protegido e tudo é permanente entre rondas. Tudo o que o jogador construir irá continuar aqui entre rondas e estes edifícios permitem melhorar as jogadas futuras gastando recursos. Alguns segredos obrigam-nos a cumprir alguns objetivos como matar certos monstros de um tipo. E outros só aparecem se experimentarmos onde colocar pontos de referência no mapa por exemplo. Avançar a nossa cidade é a única maneira de desbloquear novas classes e as classes são bastante diferentes do standard que estamos habituados.

A realidade é que os jogos Idle raramente são tão desenvolvidos como Loop Hero, mas apesar disso existem semelhanças. Tal como os restantes jogos do género, podemos deixar o jogo a correr e interagir com ele apenas de vez em quando. Loop Hero acaba por ser um jogo fenomenal para ter aberto durante um dia de teletrabalho. Não requer grande atenção mas mesmo assim oferece alguma profundidade. Talvez muitos jogadores não vejam grande sentido em gastar dinheiro num jogo que essencialmente se joga sozinho, mas Loop Hero é bem mais do que isso.

Tiago Roque

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