Análise: The Fabled Woods

The Fabled Woods é essencialmente um “Walking Simulator”, um género que divide os jogadores, da mesma forma que muitos outros géneros onde a narrativa tem o papel central e a exploração é a praticamente o único elemento da jogabilidade. São poucos os jogos do género que não são muito parados e ao contrário dos jogos de aventura modernos como Beyond Two Souls por exemplo, não apresentam praticamente nenhuma ação ou puzzles complexos, limitando-se a apresentar uma história, normalmente com muitos detalhes a poderem ser conhecidos através da exploração.

Em vez de adicionar elementos de ação, The Fabled Woods segue aquilo que bons exemplos como Everybody’s Gone to the Rapture fez antes, mas não atingindo o mesmo patamar. Para ter sucesso no género não chega apresentar uma história e algum mistério, é preciso um bom mundo para o jogador explorar e uma história longe de linear. The Fabled Woods é uma curta narrativa de mistério numa floresta. Cercado pela natureza, o jogador observa os contos de várias personagens e acompanha as suas histórias com o objectivo de encontrar pistas sobre o que aconteceu com cada uma delas.

Visualmente The Fabled Woods é realmente impressionante. A paisagem é bonita e cheia de vitalidade, com o sol a brilhar através da folhagem e os reflexos da água. A banda sonora é simples mas agradável, mas também longe de memorável. Durante a exploração também podemos ouvir as personagens para fornecer algum contexto e é aí que a imersão se perde. As vozes dos atores variam e embora algumas linhas sejam razoáveis, a maioria são realmente pobres. Ao contrário dos melhores jogos do género, este jogo tem um nível extremamente baixo de interatividade. Fora alguns itens pequenos sem relevância, não temos muito com o que interagir e isso é um problema neste género.

Algo relativamente original em The Fabled Woods é um poder visual que nos permite descobrir o que aconteceu numa área. Esta habilidade envolve toda a área em vermelho e dá-nos algumas dicas sobre o que pode ter ocorrido antes. Com essa visão também podemos encontrar um objeto significativo para desbloquear a próxima área a explorar. Ao descobrir esses itens vitais, somos transportados para um vazio de onde ouvimos a conversa e as falas de eventos da história. O facto de ficarmos a ouvir e a ver estes conteúdos sem termos grande coisa para fazer apenas aumenta os problemas de som do jogo. Além disso faz com que o jogo pareça ainda mais parado que a maioria dos outros jogos do género.

Também a história não é memorável, com muitos elementos que parecem ter sido juntados à pressa para tentar criar um jogo mais longo e mesmo assim estamos a falar de mais ou menos uma hora de duração. Os bons jogos do género conseguem colocar o jogador dentro do mundo do jogo, mas The Fabled Woods falha em absorver o jogador.

Tiago Roque

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