Análise: Maid of Sker

Para um novo lançamento de um estúdio habituado a jogos de terror, a expectativa para Maid of Sker é relativamente alta, pelo menos dentro do género em que se enquadra. A realidade é que Maid of Sker é um jogo realmente sólido, infelizmente parece não se importar muito em procurar território novo, apresentando uma experiência que mistura algumas ideias que a Wales Interactive tem utilizado e bem nos seus projetos anteriores, com a jogabilidade que se tornou habitual em jogos como Outlast e SOMA.

Tal como nos jogos que referi acima, a jogabilidade envolve bem mais ficar nas sombras e permanecer invisível do que o combate com os habitantes do Sker Hotel. Os inimigos irão investigar caso façamos som ao navegar pelos corredores e caso nos encontrem facilmente irão causar a morte do protagonista do jogo, portanto convém realmente fazer pouco barulho. Para isso temos algumas habilidades, como simplesmente suster a respiração. Isso limitará o som que a nossa personagem emite a um mínimo absoluto, mas não dura para sempre. É uma mecânica inteligente que permite contornar os inimigos sem muitos problemas, no entanto tem a desvantagem de poder causar ainda mais ruído se sustermos demasiado tempo a respiração.

Infelizmente esta é o único aspeto interessante na jogabilidade de Maid of Sker. As quatro horas de jogo consistem em resolver puzzles, explorar o hotel em busca de cilindros musicais e restaurar a energia em várias salas. Existem alguns pormenores interessantes aqui e ali, mas nada aqui presente consegue mostrar algo de novo no género. Mas a falta de inovação não quer dizer que o jogo seja mau. Maid of Sker preenche todos os requisitos de um jogo de terror. Primeiro é verdadeiramente assustador.

Composta por três pisos, a habitação começa por dever ser explorada de forma linear antes de se abrir à exploração. Maid of Sker tem também muitas influências de survival horror clássico como Resident Evil, especialmente na forma de progressão onde temos de encontrar chaves que desbloqueiam certas salas e a quantidade de munição muito limitada. É um jogo tenso e com uma atmosfera assustadora. Infelizmente os inimigos não têm a mesma capacidade e assustar e mal aparecem pela primeira vez o jogo perde muito do impacto.

Maid of Sker tem bom aspeto, mesmo que não esteja no mesmo patamar da concorrência. A apresentação não é de todo o calcanhar de aquiles do jogo, nem mesmo a jogabilidade, simplesmente a ideia de que já jogámos isto antes e melhor. Isto faz com que o jogo valha apenas a pena para jogadores focados neste género, caso contrário haverá melhor no mercado no futuro e certamente existe algo dentro do género que ainda não jogaram e melhor do que Maid of Sker.

Tiago Roque

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