Análise: Quantum League

Encontrar uma experiência verdadeiramente original num FPS não é uma tarefa fácil e partir para essa tarefa é realmente complicado. Quantum League é portanto muito ambicioso, tentando trabalhar com a ideia de os jogadores poderem jogar dentro de um loop temporal, clonando os seus movimentos anteriores para tentar ganhar vantagem sobre o adversário. O resultado funciona muito melhor na realidade do que a descrição pode parecer por escrito. Com uma abordagem interessante dentro do género, o combate de Quantum League depende essencialmente da aceitação dos jogadores.

Os jogadores competem em partidas 1v1 e 2v2 em nove arenas diferentes, todas elas coloridas e vibrantes dentro de estádios. As arenas destacam-se pela sua verticalidade e movimento, permitindo jogadas interessantes e com grande impacto visual. A habilidade de quebrar a realidade oferece três perspectivas para matar oponentes, capturar pontos e dominar o jogo. Se um dos clones for morto, ele será dessincronizado do loop e o jogador poderá continuar como um fantasma. Durante esta fase, os fantasmas podem recolher pontos de vida para se juntarem ao loop ou atirar estrategicamente em explosivos ou pontos de captura.

Na próxima ronda começamos tudo de novo com um clone anterior. Podemos tentar vingar um clone eliminando na instância anterior antes que ele o mate por exemplo. Como referi acima não é um conceito fácil de explicar, mas é realmente gratificante e divertido de jogar, sendo um jogo bem mais exigente a nível mental do que o normal FPS, muito mais dependente dos reflexos do jogador.

Neste momento o jogo tem seis personagens diferentes para escolher, todos com características próprias, no entanto as suas personalidades são completamente banais.. Embora a interface do usuário e o jogo sejam muito parecidos com Overwatch, os designs das personagens carecem da mesma originalidade do jog da Blizzard. Visualmente o jogo assemelha-se um pouco a jogos como Overwatch e acaba por ser pior por causa disso, já que olhando para o jogo não lhe conseguimos atribuir uma personalidade própria. A falta de identidade é essencialmente um problema na captura de novos jogadores, já que não há nada de realmente errado com o jogo, mas os jogadores no geral vão olhar para o jogo essencialmente como uma cópia, mesmo que o conceito seja essencialmente o mesmo.

Também o arsenal não é muito interessante. Existem seis armas para selecionar no início de cada ronda, e as armas que deveriam ser realmente poderosas comparadas com o armamento mais simples, demora muito para matar e exigem muita precisão para serem úteis. Quantum League precisa de maior equilíbrio e de uma identidade mais forte para ter sucesso. Algo que também não ajuda em nada em arranjar jogadores para suportarem o jogo é o preço. Este deveria ser sem qualquer dúvida um jogo gratuito com microtransações, mas não é. Para um jogo competitivo como este ter sucesso é preciso que tenha um bom número de jogadores, mas neste momento já começamos a ver problemas com os tempos para encontrar um jogo.

Quantum League tem uma jogabilidade realmente boa e um conceito muito interessante. Não tenho qualquer dúvida das capacidades das pessoas que trabaram para tornar o jogo realidade, no entanto algumas pequenas decisões relativamente à monetização do jogo e o aspeto genérico do jogo podem ser um problema e deixar Quantum League no esquecimento.

Tiago Roque

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