Análise: Fallen Knight

Com inspiração na era 2D de Mega Man, Fallen Knight tenta misturar essa inspiração com a lenda do Rei Artur, num resultado que poderia ter sido bem bem melhor. Os problemas de Fallen Knight estão longe de ser no seu conceito, mas sim na execução e na elaboração geral depois do ponto de partida interessante. Fallen Knight mistura controlos pouco responsivos, com regras que não se mantêm ao longo do jogo e grind desmesurado num pacote que está longe de ser recomendável.

A premissa de Fallen Knight é agrádavel. Lancelot, o guerreiro lendário, e Galahad, o assassino mortal, estão numa missão para derrubar a Purge, uma ordem religiosa militante. Tudo isto parece antever um cenário medieval, mas se leram acima o jogo tem bastantes influências em Mega Man, por isso imaginem tudo isto mas com robôs e mechs à mistura. Fallen Knight oferece aos jogadores dois estilos de jogo diferentes, dependendo se eles escolhem jogar como Lancelot ou Galahad. Lancelot oferece uma jogabilidade muito parecida à de Mega Man, com cinco níveis, cada um com um boss e um boss maior no final mas se jogarem com Galahad irão receber uma seleção aleatória de habilidades e se morrerem irão começar tudo de novo.

As duas personagens jogam-se de forma diferente também, Lancelot pode bloquear e desarmar os inimigos, o que lhes retira uma quantidade substâncial de vida, enquanto que Galahad pode eliminar uma série de inimigos e recuperar vida ao mesmo tempo. Ambos precisam no entanto que se domine o timing quase à perfeição, algo que não é de todo fácil de fazer com os controlos do jogo. A precisão necessária ou é tanta que parece não funcionar metade das vezes, ou simplesmente só funciona à base da sorte. Sinceramente não sei qual das duas é, mas nenhuma delas é uma boa desculpa. Também a forma como as personagens supostamente correm pelas paredes é frustrante. Em maior parte dos jogos é mais ou menos fácil dominar essa habilidade, mas aqui as personagens parecem ficar coladas às paredes, quer seja esse o nosso intuito ou não.

A lista de problemas é até aqui já longa, mas o jogo continua a ser fraco no resto das suas componentes, com um level design sem sabor e previsível e os combates contra bosses que até poderiam ser bons se não tivessem que utilizar os mesmos controlos fracos do resto do jogo. E por fim existem coisas que só podem ser descritas como bugs. O resto dos problemas são falhas que bem ou mal estão implementadas e documentadas. Goste-se ou não, Fallen Knight é assim, mas depois temos misseis ou lasers a atravessar objetos sólidos e para isso já não tenho grande desculpa.

Fallen Knight faz jus ao Fallen do seu nome. É um jogo fraco, que tinha um bom conceito. Por vezes parece ir mostrar-nos algum factor redentor, mas esse nunca chega.

Tiago Roque

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