Análise: Highrisers

Será possível um jogo fazer praticamente tudo a que se propõe e mesmo assim tornar-se um jogo mau? Bem, julgando por Highrisers sim. Highrisers promete ser essencialmente um jogo de todos os géneros, misturando ação side scroll, com elementos de RPG de sobrevivência, uma estética pixel-art clássica e mais uma série de coisas, Highrisers não faz nada de realmente mau.

Highrisers não tem personagens a cair do cenário nem para de funcionar e manda-nos de volta para o Windows, mas não há nada aqui que me tenha divertido minimamente e podemos olhar para aquilo que está aqui presente e apesar de existirem realmente elementos de tudo isso que referi, Highrisers é essencialmente um simulador de gestão de inventário e isso está longe de ser divertido.

Em Highrisers jogamos simultaneamente com quatro sobreviventes de um apocalipse zombi. O jogo desenrola-se num prédio enorme e a equipa tem que se unir para arranjar um helicóptero no telhado. Para arranjar o helicóptero precisamos de materiais que encontramos ao explorar e desmontar os objetos no edifício. No entanto, explorar é perigoso já que ao fim de poucos andares e principalmente à noite temos muitos zombies com que nos preocupar,

É portanto essencial criar armas para explorar os níveis mais baixos do edifício e para isso precisamos de materiais também. Podem ver que se começa a criar um ciclo de jogabilidade que até funciona em certos jogos, mas aqui nem por isso. Para controlar os quatro sobreviventes usamos as teclas numéricas e o rato para clicar em objetos para interagir. No geral o sistema funciona, mas nem sempre é fácil lembrarmos-nos de quem estamos a controlar naquele momento.

Do lado esquerdo temos os inventários de cada personagem, assim como a sua saúde e fome. A maior parte do jogo consiste em clicar em objetos ao redor do mapa para os nossos sobreviventes desmontarem ou recolherem os materiais. Isto faz com que o jogo seja sobretudo aborrecido. A maior parte do tempo gasto no jogo acaba por ser a gerir inventário, pois cada personagem está realmente limitada em termos de espaço. Para limpar o inventário de uma personagem vamos ter de utilizar as prateleiras espalhadas pelos vários andares, mas além de também estas serem muito limitadas, acabamos por ter de andar a procura de andar em andar sempre que precisamos de um item.

Também não ajuda que a navegação seja tão lenta. Também simples coisas como desmontar um objeto no jogo para revelar os materiais demora demasiado tempo. Além disso o jogo faz um trabalho horrível a ensinar-nos o que temos realmente que fazer. Eu sei que tenho de arranjar o helicóptero e preciso de materiais. Encontrar os primeiros foi realmente simples, mas os restantes não faço ideia de onde estão nem o que tenho que fazer para os obter.

Highrisers é talvez um jogo que vou lembrar mais facilmente do que outros que por aqui já passaram. Por vezes jogo algo que me deixa completamente indiferente, mas Highrisers por alguma razão deixou-me um amargo na boca. Nada aqui foi divertido de jogar e não posso dizer algo que não seja que odiei o jogo.

Tiago Roque

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