Análise: Kowloon High-School Chronicle

Com tantos jogos exclusivos do território japonês a nunca chegarem até estas paragens, alguns até recentes, é um pouco confuso perceber porque um jogo como Kowloon High-School Chronicle, lançado originalmente para a PlayStation 2 em 2004 foi traduzido e melhorado para um lançamento internacional agora em 2021, mas não nos podemos realmente queixar, já que este híbrido de visual novel e dungeon crawler consegue atingir todas as marcas positivas do género.

Kowloon High-School Chronicle com a sua mitologia de inspiração egípcia e jogabilidade de dungeon crawler na primeira pessoa apenas peca pela idade. Idade essa que se nota essencialmente na jogabilidade. O jogo coloca os jogadores na pele de um estudante acabado de chegar à misteriosa Academia Kamiyoshi em Shinjuku, Tóquio. Apesar da aparência externa da personagem como estudante normal, a nossa personagem é na verdade um caçador de tesouros pertencente à sociedade Rosetta e encarregada de descobrir os segredos de uma ruína escondida sob a escola.

O jogo é apresentado como uma série de anime, completo com músicas de abertura e ecrãs de transição entre os modos de jogo. Cada episódio consiste num dia escolar completo, com jogadores a explorar o campus e retornar ao dormitório antes de ir para a masmorra. A parte do dia da escola do jogo corresponde ao aspeto visual novel, com pouco para fazer além de explorar em forma de menu o mapa da escola. Durante o dia, os jogadores visitam as salas e interagem com os colegas através de uma roda de diálogo. Se o jogador atender a condições específicas, muitas das personagens podem-se tornar amigas. O sistema de amizado é a coisa mais próxima de um grupo, já que o jogador geralmente pode trazer dois amigos para a masmorra ao mesmo tempo. Esta parte do jogo é um pouco pesada em termos de texto e quem procura essêncialmente um dungeon crawler pode facilmente odiar esta parte.

A exploração de masmorras é um pouco confusa. O jogo leva o jogador ao centro da masmorra, onde quase todas as portas estão trancadas, mas à medida que vamos explorando, as portas vão-se abrindo. Embora cada seção da cripta seja bastante curta e direta, há uma série de puzzles para resolver com pouca ajuda de como o fazer. Muitos jogos modernos não são mais fáceis do que antigamente, simplesmente têm mais e melhores formas de ajudar os jogadores que procurarem ajuda, mas aqui os jogadores podem ficar presos se não encontrarem a solução. As batalhas acontecem em determinados locais da masmorra, mas os inimigos regeneraram-se se o jogador deixar a masmorra. Os jogadores podem equipar três armas para serem utilizadas durante a batalha e normalmente cada inimigo é mais vulnerável a um dos tipo.

Embora o sistema de batalha ofereça muitas opções aos jogadores, nem sempre isso torna um jogo melhor ou equilibrado. No geral este é um jogo que nos obriga a lembrar de muitos pormenores. Mesmo as batalhas comuns requerem um estudo das fraquezas dos inimigos. Por vezes descobrimos uma fraqueza num inimigo que teria tornado uma batalha contra um boss anterior muito fácil, mas como o jogo não tem uma progressão muito linear acabamos por descobrir coisas fora da ordem correcta.

Kowloon High-School Chronicle não é um jogo muito datado, mas além de algumas ideias que mostram um pouco a idade, o grafismo apesar de melhorado, ainda mostra as origens na era da PlayStation2. A jogabilidade também mistura dois géneros que podem agradar a alguns jogadores ao mesmo tempo. Kowloon High-School Chronicle não é uma visual novel nem um dungeon crawler, é as duas coisas. Também irá depender de quanto gostam de elementos exagerados, já que a história do jogo não é uma simples aventura com artefactos egípcios, misturando tudo o que seria possível de imaginar.

Tiago Roque

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