Análise: Lost at Sea

Lost at Sea é um walking simulator na primeira pessoa em que o jogador controla Anna enquanto ela explora uma ilha que representa as suas memórias. Este género de jogos são para mim um desafio de analisar dado que são experiências bastante pessoais. Podemos falar da apresentação e da qualidade da história, mas todos sabemos que em termos de jogabilidade não irá aparecer aqui nada que se destaque verdadeiramente. Não irá ser nunca ser um jogo que adoramos jogar, mas pode na mesma ser uma experiência fenomenal, mesmo que essa experiência não venha na forma de gameplay. Felizmente Lost at Sea é uma experiência dessas.

A jogabilidade de Lost at Sea é simples de entender, começamos a nossa aventura numa jangada no meio do oceano e aprendemos a usar a bússola. A bússola tem dois mostradores na parte superior e inferior que podemos girar para ajudar Anna a procurar itens importantes, caso nada apareça a bússola girará até que exploremos mais. Da jangada, vemos uma pequena ilha à distância e uma vez em terra, o jogador deve evitar a morte de uma bola roxa de energia. Sempre que o inimigo aparece, o céu escurece e a nossa bússola ajuda a localizar a direção geral do inimigo. Para derrotar ou empurrar o inimigo, o jogador deve simplesmente olhar por tempo suficiente para a bola roxa e ela se dispersará.

Como podemos ver, Lost at Sea até apresenta uma jogabilidade bem mais elaborada do que normalmente encontramos dentro do género. Não deixa de ser simples e acrescentar pouco ao jogo para dizer a verdade, mas é bom começar a ver jogos do género que procuram oferecer algo mais. A pequena ilha do jogo é composta por três áreas ou idades da vida de Anna. Cada idade possui 4 itens exclusivos espalhados e o jogador deve interagir com eles para adicioná-los à bússola. Seguir a bússola leva-nos até à localização do item que é necessário e normalmente envolve resolver um pequeno puzzle e o item aparecerá com uma luz brilhante algures à nossa volta. Depois de terminar uma área e colocar cada um dos 4 itens de volta, temos acesso a uma parte do passado de Anna. Esses trechos explicam o passado sombrio de Anna com comentários de Anna. A história costuma ser o foco do género e aqui não é diferente e facilmente consegue ser a principal razão porque continuamos a jogar. Não é uma história muito feliz, mas é uma história que nos prende verdadeiramente.

Os puzzles por outro lado são bastante simples e curtos, mas o jogo também é, durando apenas duas a três horas para completar. A longevidade de Lost at Sea é baixa, mas se pensar em praticamente todos os jogos que joguei do género e gostei, acho que todos duravam praticamente o mesmo. O jogo foi pensado com a história em mente e talvez pudesse durar um pouco mais, mas não muito mais. Se a longevidade não impressiona, tanto o audio como os visuais também não conseguem melhor. Visualmente não é um jogo impressionante e existem bastantes falhas visuais e na animação. A componente audio acaba por falhar por haver muito pouco dela. Os sons ambiente são poucos e a música existe mas apenas em zonas muito limitadas.

Lost at Sea vive da sua história e vale a pena exatamente por ela. Se gostam de experiências mais calmas, mesmo que ocasionalmente então Lost at Sea oferece isso mesmo. A história é realmente boa e se conseguirem olhar através das suas falhas, Lost at Sea irá oferecer-vos uma experiência muito interessante.

Tiago Roque

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