Análise: Song of Iron

Há algo de verdadeiramente impressionante em jogos desenvolvidos por apenas uma pessoa. Ver a visão de alguém num jogo é por si impressionante, mas quando todo o trabalho foi feito por apenas uma pessoa é ainda mais impressionante. Jogos como Stardew Valley são por si fantásticos, mas se pensarmos que alguém fez tudo aquilo sozinhos. Song of Iron foi desenvolvido por Joe Winter e é um jogo com um aspeto fantástico e a música composta por a única colaboração externa compõe tudo na perfeição.

O jogador é um guerreiro solitário que vê a sua aldeia queimada por inimigos, lançando-se numa demanda através do belo mundo do jogo à procura de vingança. Pelo caminho, a nossa personagem adquire novos poderes e habilidades que o ajudarão a sobreviver a inúmeros inimigos, de guerreiros humanos a orcs a trolls enormes. Song of Iron é principalmente um jogo de ação. Não há aumento de nível, nem personalização da personagem. Podemos usar armas diferentes, desde machados a espadas longas, mas não há indicação de quanto dano cada arma causa.

O combate no jogo é decente, mas pode ser um pouco desajeitado por vezes. O tempo que demoramos a dominar o combate tem pouco a ver com a sua complexidade e muito mais com as suas falhas, sendo preciso um certo ritmo para que tudo funcione. Também podemos usar um arco para atingir inimigos à distância ou lançar qualquer arma corpo a corpo. Os inimigos deixam cair as suas armas, por isso podem lançar a vossa arma sem grande problemas que rapidamente encontram outra.

Conforme avançamos também desbloqueamos poderes mágicos que permitem imbuir as nossas armas com fogo ou aumentar a sua velocidade por exemplo. Fora do combate temos alguns puzzles e níveis cheios de armadilhas. O jogo faz um bom trabalho em nos fazer sentir perdidos. Sinceramente não sei se faz grande esforço para isso já que não há nenhum mapa, nenhuma linha ou seta flutuante que nos marque o objetivo. Este aspeto do jogo é um pouco frustrante e se há algo que realmente me chateia num jogo é sentir-me perdido.

Os puzzles do jogo são todos muito simples. Por vezes só temos de descobrir para onde arrastar um bloco para chegar a uma área e noutras precisamos de encontrar pequenas runas e acendê-las. Aquilo que acaba por tornar tudo mais desafiante é o ponto acima, a falta de orientação. As plataformas podem ser frustrantes da mesma forma que o combate. Existem várias armadilhas que nos podem matar e os controles não têm a precisão que nos faça sentir que estamos em total controlo do jogo.

Song of Iron é um jogo minimalista. A história é simples e dura entre quatro e cinco horas, dependendo de quão rápido encontrarmos o caminho. É também um jogo que tem melhor aspeto do que qualidade ao jogar. Não deixa de ser impressionante que venha apenas de uma pessoa e certamente muitos jogadores vão gostar bastante, mas convém ir um pouco prepado para as suas falhas.

Tiago Roque

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