Análise: The Vale: Shadow Of The Crow

Uma das componentes mais valorizadas nos videojogos modernos é o seu aspeto visual. Na minha opinião o importante é realmente a jogabilidade, mas é quase impossível um jogo AAA moderno ser considerado perfeito se não apresentar também os gráficos mais realistas que as plataformas atuais são capazes de produzir. É portanto impressionante que nos chegue um jogo como The Vale: Shadow Of The Crow, que além de não apresentar realmente jogos de última geração, não apresenta gráficos sequer.

Algo que eu não conhecia até pegar em The Vale: Shadow of the Crow é que existe uma grande variedade de jogos apenas com componente áudio numa variedade de géneros, desde a simulações a RPGs. Os avanços em áudio 3D tornaram isto possível e acredito até que a comunidade cega pode ter algo que realmente valha a pena já que são essencialmente jogos completos pensados para utilizar apenas o som como meio. Mas nenhum dos jogos já lançados com esta filosofia é tão mainstream como The Vale: Shadow Of The Crow e acreditem quando digo que é um jogo completo e não um jogo para cegos.

The Vale: Shadow Of The Crown é um jogo da Falling Squirrel e este coloca o jogador no papel de Alex, uma princesa cega de nascença, cujo irmão mais velho assumiu o trono e a nomeou guardiã de uma fortaleza nos arredores do reino. Pelo caminho até à fronteira a sua tripulação é atacada, mas ela escapa, deixando-a sozinha para completar o resto da viagem por um perigoso vale, que dá nome ao jogo, sozinha. Todo o jogo é na primeira pessoa, apesar de apenas vermos um ecrã preto e alguns efeitos de partículas. Temos que navegar em espaços 3D ouvindo pistas sonoras, como rios ou mercadores, para navegar a escuridão até ao nosso destino. Connosco vai também um companheiro pastor que é uma espécie de assistente.

À medida que vamos avançando a nossa viagem é dividida entre segmentos lineares de história e várias pequenas aldeias onde escolhemos missões e compramos novos equipamentos com os lucros. The Vale: Shadow Of The Crow é essencialmente um RPG e devem pensar no jogo dessa forma. As cidades são os locais mais complicados de navegar, com a quantidade de ruído à volta, o jogo quase que nos pede para fechar os olhos para nos concentrar melhor. É também aqui que além de percebermos como será passar algum tempo na vida de alguém que seja cego, percebemos também que precisamos mesmo de um bom par de headphones.

Como um qualquer RPG, The Vale: Shadow of the Crow tem também combate. O combate funciona com uma das três direções, cima, esquerda e direita e devemos matar os inimigos ouvindo os seus barulhos, algo que começa simples com apenas termos de bloquear ataques com o escudo e atacar, mas tudo se vai complicando. Na segunda metade do jogo temos de diferenciar entre os sons de combos e ataques pesados. Com vários inimigos ao mesmo tempo, juntamente com arqueiros, habilidades mágicas e o que vamos aprendendo, o combate do jogo é bastante mais complexo do que o início nos levaria a crer.

The Vale: Shadow Of The Crow vai ser diferente de praticamente tudo o que já jogaram até hoje. E é bastante competente naquilo que pretende ser. Não tem a complexidade de um RPG tradicional mas é realmente bom naquilo que se propôs a ser. O trabalho no som é fenomenal ao ponto de conseguirmos elogiar a variedade de inimigos num jogo onde não vemos os inimigos.

Tiago Roque

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