Análise: Away: The Survival Series

O conceito de Away: The Survival Series é realmente interessante. No papel lembrou-me Tokyo Jungle para a PlayStation 3, infelizmente a implementação está longe da qualidade desse jogo. Explorar uma bela ilha enquanto planava como um petauro-do-açúcar poderia e deveria ser super divertido, mas infelizmente, este jogo é curto e decepcionante. Away: The Survival Series tem um início promissor apresentando-nos uma família de adoráveis petauros-do-açúcar, deve ser assim o plural de petauro-do-açúcar.

O petauro-do-açúcar com que jogamos é um pequeno e adorável planador de 6 meses de idade enquanto ele segue sua mãe, que carrega a sua irmã nas costas. Infelizmente o mundo animal é selvagem e eles acabam sequestrados por um abutro, cabendo ao jogador segui-lo através da terra e salvar a família. O enredo humaniza demasiado os animais. Aquilo que fazia Tokyo Jungle funcionar era o facto de assentar essencialmente em jogar com animais a serem animais. Isto pode dizer mais sobre mim do que do jogo, mas eu estava à espera de algo bem diferente de Away: The Survival Series.

A história de Away: The Survival Series além de simples e não oferecer nada de relevante é também um pouco parva. Os animais escolhidos como antagonistas nem sequer fazem sentido. Dar algumas características humanas à família protagonista até poderia desculpar, mas um predador não deixa a sua presa que consegue planar por horas a fio num ninho. Away: The Survival Series é visualmente realista e esta aproximação a elementos narrativos de filmes de animação não combina. Pelo menos a narração é ótima, apesar de a história e pano de fundo ser parvo. Basicamente todos os humanos do mundo jogo morreram e o narrador faz questão de nos dar estes pormenores, mesmo que não tenham qualquer interesse nesta aventura.

Away: The Survival Series é dividido em dois modos, história e exploração. O modo de história, onde jogamos apenas como o planador que referi acima dura cerca de quatro horas para terminar. É aqui que irão sem dúvida começar e para quem como eu gosta de alguma linha condutora num jogo. É também o modo principal do jogo, ou pelo menos deveria ser. Maior parte dos problemas do jogo são universais e não exclusivos do modo. Os controlos por exemplo são horríveis, a câmara é desajeitada e o movimento não melhor. Além disso o jogo está recheado de bugs, bugs esses que eu desculparia num jogo em Acesso Antecipado, mas como podem ver isto é uma análise e não antevisão . Não é incomum ficar preso no ambiente por exemplo. É muito difícil recomendar um jogo onde aterrar é uma incógnita. Vou poder continuar a jogar ou vou ficar preso no chão?

Planar devia ser ser divertido mas é simplesmente estranho. É uma daquelas sensações que temos a jogar, onde algo parece que não está bem mas não conseguimos perceber o que é. Infelizmente não se fica pelo planar, já que também o combate é estranho. Iremos encontrar inimigos como aranhas ou cobras e o nosso petauro-do-açúcar consegue atacar e desviar. Ele também tem que se alimentar constantemente para não perder vida, mas se morrerem irão começar com metade da vida, por isso a morte não tem grandes consequências. O jogo tem ainda algumas quests secundárias e umas secções furtivas, mas nenhuma destas mecânicas torna o jogo melhor. Se o fundamental está quebrado querem mesmo prolongar o sufrimento?

Por muito má que a história fosse, se a jogabilidade de Away: The Survival Series fosse forte, o modo de exploração poderia ser fantástico. Enquanto que o modo história nos deixa presos no mesmo animal para uma experiência mais focada, o modo de exploração deixa-nos controlar qualquer animais. Aqui controlamos uma espécie de esporo que pode possuir qualquer animal. O objetivo aqui é coleccionar animais com alguns a serem bem raros. A ideia é realmente boa, mas fica presa pelos problemas do jogo e falta de variedade.

Away: The Survival Series podia ser um jogo único, mas tem demasiados problemas técnicos. Visualmente consegue ser bonito, mas mesmo nesse aspeto se olharmos olhar-mos com atenção vemos as texturas pobres. Não há grande factor redentor aqui por isso a não ser que um grande patch venha a ser lançado, façam o que o nome do jogo diz e mantenham longe(away).

Tiago Roque

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