Análise: Bustafellows

Já disse isto várias vezes, mas convém voltar a realçar. Analisar uma visual novel é bem diferente de analisar um jogo de qualquer outro género. Em termos de gameplay estes jogos são muito limitados e o foco é sempre a história e personagens, algo que não convém detalhar muito numa análise, pelo que ficamos muito reduzidos naquilo que podemos falar.

O jogo fala de uma rapariga que tem a capacidade de voltar no tempo algumas horas e como ela usa os seus poderes para o bem A história envolve assassinatos, espionagem, o mercado negro e até tráfico de pessoas. No geral isto parece a base para um jogo com um tom muito mais adulto do que é normal num otome e além disso podem ficar descansados com tudo o resto, já que as personagens de Bustafellows são todas elas adoráveis.

Quando a heroína, Bridges, volta no tempo, ela acaba no corpo de outra pessoa, no entanto ela só pode ficar no corpo daquela pessoa por alguns minutos. Ela tem tempo suficiente para tentar mudar o presente antes de voltar e beleza destes momentos está na maneira como ela tenta evitar que coisas más aconteçam. Estas escolhas estão nas mãos dos jogadores e nem sempre as escolhas mais óbvias levam a um final feliz.

Por vezes tudo parece funcionar bem mas a nossa escolha afeta gravemente a pessoa em quem Bridges saltou. Nada é tão simples quanto salvar alguém, e é importante lembrar que todas as decisões têm um efeito que irá ter repercussões em muitos sentidos. A história geral é enorme, com muitas partes móveis e a única maneira de ver cada peça do puzzle que é a história por completo é completando todas as rotas. Podemos jogar o jogo do início ao fim e não ter grande interesse em tudo o que poderia ter acontecido, mas iremos ficar a conhecer uma parte muito pequena do jogo.

Um aspeto do jogo que posso referir como um problema é a escrita. Os diálogos têm alguns erros e no geral não achei o jogo muito bem escrito, estando este aspeto uns bons degraus abaixo de tudo o resto. Os pretendentes são todos interessantes e a história é realmente boa e é uma pena que o jogo depois tenha alguns problemas com coisas que poderiam ser facilmente melhoradas. O texto é uma delas, mas o maior problema é falta dele às vezes. Alguns pequenos diálogos parecem nem sequer ter direito a tradução e apesar de não ter tido problema em perceber toda a história é pena que um jogador japonês essencialmente tenha acesso a mais jogo que nós.

Nenhum destes problemas retira valor a Bustafellows, sendo esta uma excelente proposta dentro do género. Visualmente bom e com som e vozes também de nível bem alto, Bustafellows apresenta todos os elementos que caracterizam um excelente otome.

Tiago Roque

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