Análise: Comanche

Comanche foi um jogo revolucionário no seu lançamento original. A tecnologia que o jogo utilizava estava uns bons degraus acima daquilo que a concorrência estava a fazer, mas como é normal ao longo dos anos isso deixou de acontecer e sem uma grande ideia de como elevar a série sem uma tecnologia revolucionária, os criadores originais acabaram por vender os direitos, tendo estes acabando nas mãos da THQ Nordic que lança este reboot da série agora.

Este reboot de Comanche era para ser inicialmente um jogo exclusivamente online, mas felizmente Comanche passou de um título exclusivamente multijogador para um jogo com uma campanha de vinte e quatro níveis bastante robusta, juntamente com onze missões separadas. Infelizmente as missões em si são bastante repetitivas. Os jogadores têm primeiro de jogar o tutorial que é por si um pouco extenso, mas quem já jogou um jogo de combate aéreo sabe que isso é normal.

Embora não seja um jogo de simulação, aprender a controlar o helicóptero de ataque leva algum tempo. A maioria dos fundamentos do vôo vão parecer básicos para quem jogou algo do género, com os gatilhos a serem usados para ajustar a elevação enquanto baixar o nariz do Comanche o move para frente. Um dos primeiros problemas do jogo é que parece colocar duas realidades em colisão. Por exemplo temos o nosso helicóptero indicado para combates em espaço aberto e por outro lado o jogo envia-nos para bunkers ultrassecretos escavados nas montanhas onde a simples tarefa de impedir que os rotores arranhem as paredes e o teto é frustrante. O jogo consegue dar-nos alguns momentos fantásticos e existem alguns cenários memoráveis, mas depois existem outros que não funcionam.

Tal como o nome do jogo indica, essencialmente vamos controlar um tipo de veículo, neste caso o RAH-66, mas Comanche fornece-nos acesso a cinco modelos diferentes. Cada helicóptero tem capacidades distintas e realistas e dentro da pouca variedade, temos pelo menos alguma. O jogo tenta misturar algum realismo militar com futurismo, mas enquanto que alguma tecnologia utilizada é realmente futurista, o jogo tenta dar alguma autenticidade com o diálogo militar que vamos ouvindo, mas simplesmente não funciona. Aqui eu simplesmente criticaria a tentativa de dar algum realismo, já que não há nada de errado com a diversão de explodir coisas, o Michael Bay fez carreira assim.

Comanche tenta misturar combate de grande escala com combates em zonas pequenas e apertadas onde controlamos pequenos drones. Estas secções não funcionam tão bem e não tiram partido dos melhores aspetos do jogo. É também a zona onde o jogo lança todo o realismo pela janela, já que parece que todas estas bases inimigas foram feitas por vilões do 007.

No que toca ao multijogador Comanche também não é muito inovador, com modos bastante tradicionais mesmo que com outros nomes. O problema nem é a falta de originalidade é que para jogar qualquer um deles irão precisar de jogadores e isso é quase impossível de encontrar.

Comanche tem aspetos bem conseguidos, mas está longe de ser o sucesso que os originais foram. Não é o melhor do género nem apresenta uma tecnologia revolucionária, nem sequer é bom em tudo o que faz. É um jogo que tenta utilizar um nome conhecido para chegar a mais público, pena que não possa ter sido melhor pensado, já que apesar de tudo não tinha grande concorrência e para se destacar só tinha quer ser um pouco melhor.

Tiago Roque

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