Análise: FIFA 22

Ano após ano havia algumas coisas garantidas. Em Dezembro há Natal, a Steam vai ter promoções e algures em Setembro temos um novo PES e um novo FIFA. A Konami optou por tentar em 2020 lançar apenas um DLC com o conteúdo atualizado mas em 2021 decidiu abandonar definitivamente o nome Pro Evolution Soccer, adoptar o nome eFootball e passar a um modelo free-to-play. Isto poderia ser um duro golpe para a EA e a série FIFA, mas para a gigante americana parece ter sido apenas um susto já que no seu estado actual, eFootball é mais uma ameaça para as finanças da Konami do que um rival para FIFA. De forma bem pacífica e tradicional a EA lançou o seu novo FIFA, uma entrada bastante sólida na série que mesmo não revolucionando, consegue melhorar em muitos aspetos.

FIFA 22 recria praticamente tudo o que o desporto em si tem de especial, especialmente do ponto de vista dos adeptos. O foco do jogo tem-se tornado cada vez mais o modo Ultimate Team e por muito que os restantes modos tenham sido melhorados, cada vez mais se nota a prioridade da EA. É também neste modo que o jogo mais paralelos tem com o jogo real. Por muito bom presidente que o Beira-Mar tiver e por muitos esforçado que seja o plantel, vai chegar um ponto onde os dólares do PSG são suficientes para ganhar.

Felizmente a sorte tem alguma influência aqui, já que gastar rios de dinheiro em pacotes não são garantia de grande coisa, isto dependendo do tamanho desses rios. Gastar 10 a 40 euros não irá garantir grande coisa, mas gastem 10 vezes isso e a estatística diz que vai começar a aparecer alguma coisa em condições. Mas um plantel de estrelas não garante sucesso, convém dominar decentemente o jogo, mas ter um plantel com os melhores jogadores de FIFA 22 irá aproximar jogadores de uma habilidade superior e inclinar o campo em caso de habilidades similares. No entanto todos os jogadores de 86 – 91 são iguais e dependendo da forma como o adversário joga podemos ter resultados interessantes com equipas rápidas de pontuações mais baixas, mas quem já viu as equipas de meio da tabela com laterais e um avançado muito rápidos sabe que mesmo na realidade é uma arma conta planteis superiores. Para isso ser eficaz precisamos no entanto de saber defender.

A economia do Ultimate Team é uma economia de loot box, e por muito que a EA tente varrer o assunto muitos governos estão a apertar neste tipo de mecânicas. Muitos jogos utilizam este tipo de mecânicas mas nem todos têm a receita que FIFA tem, muito pelo contrário já que FIFA é claramente o mais lucrativo. Por muito boas intenções que a EA tivesse, o tipo de dinheiro que o Ultimate Team faz não é de todo fácil de virar costas. Além disso há muita gente a não gastar um cêntimo a mais no jogo e se prestarem atenção vão ver que a maioria das equipas que enfrentam têm um valor de plantel semelhante ao vosso.

Em termos de novidades neste modo não posso dizer que existam muitas, mas algumas são importantes. Os menus foram revistos e agora é tudo ligeiramente mais simples de navegar. A loja foi também ligeiramente revista em termos de navegação e os pacotes de ouro são agora dois por defeito, um tradicional e um que podemos abrir sem pagar e ver os conteúdos. Estes pacotes, que neste momento é só um, são a resposta da EA a alguns governos que baniram a EA de vender pacotes. Não acho que seja minimamente suficiente mas dá-nos algumas possibilidades novas. Basicamente podem ver os conteúdos de um pacote antes de o abrir e caso gostem podem comprar e ver os conteúdos de outro pacote logo de seguida. Caso não o queiram comprar irão ter de esperar um dia para poderem abrir outro.

Como disse acima as novidades são poucas, mas algumas alteram substancialmente a forma como progredimos. Por exemplo, as Squad Battles continuam essencialmente iguais ao ano passado, mas tanto o Division Rivals como o FUT Champions foram revistos. Agora podemos manter a divisão em que jogamos muito mais facilmente. O número de divisões mantém-se o mesmo mas o progresso é visível. Antes não era óbvio se falta muito ou pouco para subir ou descer, mas agora é tudo representado de forma simples. Ganha 2 jogos seguidos e passas para o próximo patamar. Agora ganha três seguidos e sobes para a divisão 6 por exemplo. Andar para trás não é possível e basicamente o jogo impede que um jogadores subam por “sorte” ao colocar como objectivo um número de vitórias seguidas. É uma solução elegante e ao colocar objetivos que parecem atingíveis, pelo menos para mim, o modo ficou ainda mais viciante. Além disso não estamos limitados a um número limitado de partidas por semana.

A forma como nos apuramos para o torneio semanal também foi revisto, mas temos na mesma de obter os 1500 pontos. A diferença principal vem na forma como as partidas do torneio funcionam e basicamente agora se o torneio estiver a correr muito mal iremos ter bem menos jogos para jogar. Além do Ultimate Team continuam a existir modos para todos os gostos. Há mais Volta, a opção de futebol de rua com um novo modo de história e alguns novos jogos de festa. Existe Pro Clubs para jogar em cooperação com até 11 amigos.

Existem também os jogos rápidos Kick-off, o modo Regras da Casa, jogos de habilidade, dezenas de torneios para todos os gostos. Depois, há os dois modos de carreira que finalmente recebem atenção. O Player Career Mode recebe uma atualização bem-vinda aos seus sistemas. Ainda não há um modo de história, como The Journey, mas o modo no geral está muito mais trabalhado e detalhado e é uma melhoria à muito necessária. Também podemos criar o nosso próprio clube com seu próprio equipamento, estádio, cantos e bandeiras. O modo de carreira também recebeu melhorias. Ainda não é o Football Manager, mas não precisa nem deveria ser. A sua profundidade é suficiente para ser um desafio divertido, mas é talvez o modo ainda a precisar de mais trabalho.

Infelizmente a versão PC que analisei não contém a tecnologia HyperMotion que se estreou este ano nos consolas de última geração. É realmente pena que a EA tenha optado por não trazer a versão mais avançada para o PC, mas acredito que para o ano irá aparecer. Tudo isto é importante, mas e como é que FIFA se joga? Bem, tal como todos os anos tudo foi revisto. Evito dizer que foi melhorado ou piorado, já que para todos os efeitos FIFA chegou a um ponto da sua jogabilidade que não há muito para melhorar. Alguns jogadores podem preferir uma abordagem à jogabilidade diferente, mas para aquilo que a EA Sports pretende está perfeito à alguns anos e neste momento trata-se apenas de refrescar e este ano o jogo abrandou um pouco e tornou-se mais realista e fluido. Para dizer a verdade isto pode não ficar assim, uma vez que a EA tem a tendência para alterar a forma como jogamos FIFA ao longo do ano, mas neste momento é como está.

FIFA 22 não é um salto gigante de qualidade, mas aquilo que foi alterado mudou para melhor. A jogabilidade está mais realista e visualmente continua impressionante mesmo sem utilizar a versão das consolas de nova geração. Talvez não seja uma compra obrigatória para quem gosta de jogar um jogo de futebol de vez em quando, mas para os fãs que querem aproveitar o Ultimate Team, está melhor do que nunca.

Tiago Roque

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