Análise: Golf Club: Wasteland

Golf Club: Wasteland é um jogo com uma premissa no mínimo estranha. Num futuro pós-apocalíptico acho que jogar golfe não vai estar no topo das prioridades de ninguém. Talvez procurar comida ou abrigo, mas golfe acho que não, no entanto é exatamente esse o foco da experiência. Num mundo cheio de edifícios abandonados, veículos destruídos, florestas que recuperaram terreno nas cidades e tudo o que nos habituámos a ver nestes ambientes. O jogo contém um total de 35 níveis, todos com o seu próprio número definido de tacadas necessárias e é bem melhor do que alguma vez pensei.

A jogabilidade em si é relativamente minimalista, com uma interface bastante simples que nos força, ou facilita pelo menos, a atenção no ambiente. Os controlos são também bastante simples, com o analógico esquerdo para definir a direção e o nível de potência e um botão para dar a tacada. A nossa personagem move-se automaticamente para onde quer que a bola acerte e tal como num jogo de golfe normal iremos continuar a dar tacadas neste ciclo até acertar no buraco. Existem três modos disponíveis, o Modo História permite que concluir cada percurso em quantas tacadas quisermos e sem penalidades, o modo Challenge que nos mostra o número de tacadas necessárias para completar o percurso e caso o jogador não consiga tem de começar de novo o percurso e depois temos o modo mais difícil onde temos que completar tudo no número de tacadas certas.

A jogabilidade de Golf Club Wasteland pode parecer um pouco repetitiva, especialmente em campos que exigem 10 ou mais tacadas para serem concluídos, mas consegue ser realmente interessante graças à narrativa. Se existe um jogo que não estava de todo à espera que fosse marcado por uma história profunda era um jogo chamado Golf Club: Wasteland. A história é contada através de entradas de diário, conversas de rádio e uma banda desenhada. A história depende um pouco da nossa vontade da explorar, já que a forma como é contada não é linear e “obrigatória”, mas os jogadores que invistam tempo nela irão ter um bom retorno.

Um dos poucos problemas de Golf Club: Wasteland é que o jogo não parece saber bem qual é o seu público alvo. Por um lado temos esta narrativa adulta e profunda e depois temos alguns sinais bastante infantis por exemplo. Eu pessoalmente não recomendaria o jogo a crianças, acho que existem propostas bem mais interessantes para esse público, mas não posso negar a qualidade e simplicidade da jogabilidade. Golf Club: Wasteland não deverá estar na lista de desejos de muitos jogadores, mas se o encontrarem numa promoção irão encontrar muito para gostar aqui.

Tiago Roque

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