Análise: Olympia Soirée

Olympia Soirée e é um novo otome que tenta ser um pouco ambicioso demais para o seu bem, misturando demasiadas histórias e tópicos ao mesmo tempo que tenta contar uma história central que poderia facilmente suportar todo o jogo de forma bem mais sólida do que soterrada no meio de tudo o que a rodeia. A Ilha Tenguu é um lugar sobrenatural onde os deuses, como Amaterasu, ainda estão ativos e todas as pessoas nascem com vários graus de cores determinados pelos seus parentescos.

O jogo aborda isto praticamente como as questões da raça do nosso mundo. Há muito preconceito entre misturas das cores e é preciso pedir uma autorização para casar com alguém de outra côr. Existe também uma doença de descoloração, à qual as pessoas de cor pura são mais propensas. Existem também as pessoas de côr esbatida que são marginais e o Sol que por vezes perde força e precisa de haver um ritual a Amaterasu para que o Sol volte. São realmente muitas linhas diferentes e o jogo não escolhe grandes prioridades, indo acrescentando e acrescentando pormenores que tornam todo o jogo um pouco inchado.

O problema é que o jogo nem fica por aqui. Ao longo do jogo vão aparecendo ainda mais pormenores. Neste género não convém entrar em grandes pormenores da história, uma vez que esse é o foco principal da experiência, mas basicamente Olympia é uma personagem branca e o último membro do seu clã. Apenas uma mulher branca pode ter outros filhos brancos e apenas uma dançarina branca pode se conectar com Amaterasu e fazer com que o sol volte. O jogo começa quando Olympia completa 18 anos e depois de o Sol escurecer mais uma vez ela tem que casar para que a linhagem não termine.

Os jogos otome são essencialmente romances e o público alvo procura essencialmente isso. Infelizmente as primeiras horas do jogo são gastas em todos estes pormenores. Praticamente tudo no jogo parece que precisa de justificação e o jogo perde horas a explicar tudo, mesmo que na maioria das vezes uma afirmação fosse mais do que suficiente. A história também tende a ser mais adulta, mas tenta sê-lo de formas que não fazem grande sentido. Todo o jogo parece ser uma metáfora para o racismo, mas ao mesmo tempo é um pouco racista ele próprio. A cor preta por exemplo é uma das piores para se ter neste mundo. Num trabalho de ficção que tenta ser uma metáfora acho que poderiam ter escolhido outra côr qualquer. Depois existem os finais maus que muitas das vezes não fazem qualquer sentido tendo em conta o que se vai passando no jogo.

Mas acreditem que nem tudo é mau aqui. Olympia é uma personagem bem escrita e a sua visão do mundo é nobre. A história principal é boa e a arte é fantástica. Algumas personagens secundárias também se destacam pela qualidade. Se visualmente é bom, também a componente audio é de boa qualidade, com boas vozes e músicas. É realmente uma pena que o jogo insista em martelar todos estes temas, já que a simplificação tornaria a experiência bem mais agradável.

Tiago Roque

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