Análise: Suzerain

Suzerain é um simulador de política passado numa nação fictícia que acabou de sair de uma guerra civil para se livrar de um ditador. O eleito foi portanto o jogador, cabendo-lhe liderar a nação da forma que achar melhor. O jogo tem como palco os anos 50 e é realmente muito bom no género em que se insere.

O principal problema que temos de resolve é tentar evitar que basicamente as facções comunistas e nacionalistas de matem uma à outra. Além disso as guerras não costumam ser muito boas para a economia, pelo menos não para aquelas que não vendem armas. Tirar a economia da recessão e decidir o que fazer em relação às décadas de negligência da infraestrutura é uma tarefa difícil.

O jogo tem uma boa dose de informação sobre tudo o resto que rodeia a nossa nação, com muitas histórias e políticas detalhadas a serem abordadas durante o jogo, assim como dezenas de personagens que fazem parte do governo. O jogador tem que ter atenção a cada uma destas personagens e conhecer as suas motivações. Suzerain não é tanto um sandbox como uma visual novel mascarada e o nível de controlo que temos aqui é bem mais limitado do que em outros jogos do género.

A desvantagem desta abordagem ao género é que o jogador acaba por perder em termos de opções de sandbox, mas a troca vale a pena porque permite que Suzerain seja uma experiência bem mais pessoal. Cada uma das personagens tem uma biografia detalhada e personalidades fortes. As facções são representadas não apenas como números mas como personagens únicas. Alterar algo no país não se faz arrastando um medidor, mas conquistando a confiança de alguém e a mesma coisa quando somos enganados.

Já devem ter reparado que digo muitas vezes que um jogo é fantástico por isto e aquilo, mas a verdade é que os meus padrões são tão elevados como de outro crítico qualquer. A questão é que é preciso ver os jogos por aquilo que pretendem ser e Suzerain é realmente muito bom naquilo que tenta ser. Não é um triple A com mecânicas super elaboradas, mas é um jogo capaz de nos surpreender quando aquele contacto no governo em quem confiamos a 100% nos trai pelas costas. É um jogo que basicamente percebe estes movimentos escuros dos governos e da imprensa e pessoalmente achei isso muito interessante.

Tiago Roque

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