Análise: The Plane Effect

The Plane Effect é um novo jogo indie que se insere no género “Walking Simulator”. Este género de nicho é normalmente caracterizado por jogos na primeira pessoa com foco na história, mas onde a história é normalmente contada através do ambiente e da exploração do mesmo, já que vamos conhecendo o mundo e quem nele habita através de cartas e outros objetos.

The Plane Effect reverte um pouco aquilo que eu estava à espera num jogo do género, sendo mais próximo visualmente de Limbo do que de outros jogos do género que já joguei. A grande maioria dos jogos do género que já joguei também não tendem a pedir muito ao jogador além de que este aproveite a viagem e a história, mas The Plane Effect mete alguns puzzles à mistura por exemplo. Mas os criadores do jogo não embarcaram numa demanda para frustrar jogadores, portanto existem três níveis de dificuldade, cada um com mais ajudas que o anterior.

O modo Normal não nos oferece grande coisa em termos de ajuda e deixa-nos resolver os puzzles ao nosso ritmo, não nos dando nenhuma assistência. Os níveis seguintes já nos dão algumas ajudas, sendo preciso apenas pressionar um botão, sendo que varia essencialmente o tipo de ajuda que recebemos. O modo Normal pode parecer bom por nos deixar jogar de forma mais tradicional, mas a realidade é que os puzzles do jogo são bastante mais complexos e menos óbvios do que seria de esperar e mesmo os jogadores mais habituados a aventuras vão sentir-se tentados a mudar para outro nível. O nível que nos dá mais ajudas praticamente nos diz o que fazer e se conseguirem evitar a tentação de pedir ajuda, este é o nível que eu recomendaria.

Os puzzles do jogo são daqueles que facilmente nos fariam desistir se esta opção não existisse. Os puzzles são muito rígidos com a sua sequência também, o que nos obriga não apenas a adivinhar a resposta correta, mas também os passos até lá chegar. Este tipo de design de nível praticamente nos obriga a reverter para outros níveis de dificuldade mais fáceis, mas se não conseguirmos evitar carregar constantemente nas ajudas ficamos apenas com um jogo que nos indica o local exato para onde temos de ir, algo que não é de todo gratificante. A simples existência deste nível de dificuldade é prova de que os criadores sabiam que os puzzles do jogo não eram acessíveis, mas mesmo assim optaram por criar um nível de dificuldade ultra fácil, em vez de corrigirem os puzzles.

Isto apesar de tudo não seria tão problemático se a história e viagem fosse realmente boa, mas é infelizmente bastante desinteressante e lenta. A exploração também parece bem mais trabalho do que diversão e existem demasiadas situações que nos fazem perder e ter de repetir não é divertido. Existe um sistema de checkpoints, mas o tentativa e erro que o jogo nos obriga a fazer castiga-nos com minutos atrás de minutos de jogo. Além das mecânicas que descrevi acima o jogo ainda lança plataformas à mistura e como viram até aqui o jogo não acertou na perfeição em nenhuma mecânica e infelizmente as plataformas são apenas mais uma.

Mas nem tudo é mau em The Plane Effect. Visualmente o jogo consegue cativar com a sua apresentação minimalista e gráficos saturados, algo que é complementado com uma banda sonora que assenta na perfeição. É realmente pena que não consiga complementar isto com boas mecânicas de jogo, boas personagens ou uma boa história. O género muitas vezes é olhado de lado por ter poucas mecânicas de jogo e uma abordagem artística que aliena os jogadores. Infelizmente The Plane Effect vai exatamente pelo menos caminho. Existe aqui mensagem e história a contar acho eu, mas aquilo que pude jogar não me cativou e a mensagem passou-me completamente ao lado.

Tiago Roque

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