Análise: DUCK: Dangerous Ultimate Cartridge Kidnapper

DUCK: Dangerous Ultimate Cartridge Kidnapper é um jogo que abraça a nostalgia dos anos 80 e 90, mas com uma premissa original e um toque de humor absurdo. A ideia parte de algo que muitos fãs de retro gaming conhecem: os famosos cartuchos 100-em-1 que prometiam inúmeras experiências, mas na realidade ofereciam jogos de qualidade duvidosa e muitas vezes clonados de clássicos da NES. Neste caso, um grupo de patos encontra um misterioso cartucho com 100 jogos para a sua DES, uma consola inspirada na mítica NES. Ao ligarem o cartucho, libertam um espírito malévolo que os obriga a completar todos os jogos incluídos.

O resultado é uma coleção de mini-jogos variados, que vão desde experiências simples que parecem saídas de um Game & Watch até desafios mais complexos, com elementos típicos de títulos 8-bit e até alguns toques 16-bit. É fácil comparar DUCK a WarioWare, mas a verdade é que este jogo aposta em mecânicas mais desenvolvidas, com muitos mini-jogos a durarem até 60 segundos e a exigirem alguma dedicação para serem dominados. O jogo mistura referências culturais, personagens estranhas e humor absurdo, criando uma experiência única que celebra a história dos videojogos enquanto goza com ela.

Jogabilidade

A jogabilidade é o centro de DUCK e o que realmente faz este título brilhar. Cada mini-jogo apresenta mecânicas próprias e regras diferentes, tornando cada nova tentativa uma surpresa. Antes de começar cada desafio, o jogador recebe uma nota manuscrita no ecrã da TV que explica de forma mais detalhada a premissa e os controlos. Em contraste, o próprio ecrã inicial do mini-jogo mostra uma descrição curtíssima, por vezes humorística, como um simples “Mata-os todos”.

Os mini-jogos são incrivelmente variados. Há desafios que recriam a sensação de clássicos Atari, Game & Watch ou NES, enquanto outros oferecem experiências mais modernas e complexas. Alguns jogos envolvem explorar plataformas perigosas, outros são shooters, puzzles ou experiências baseadas em física. Há até mini-jogos com cutscenes de introdução e finais humorísticos, algo raro neste tipo de coleção.

A campanha principal está dividida em capítulos, cada um protagonizado por um pato diferente. Cada capítulo apresenta dez mini-jogos aleatórios seguidos de um nível de boss mais longo e elaborado. Estes bosses diferenciam-se dos restantes jogos por serem mais complexos, como um labirinto em primeira pessoa, um shooter visto de cima com ondas de inimigos ou um jogo de plataformas onde o herói corre automaticamente para a direita. O jogador tem cinco vidas por capítulo, mas pode tentar novamente quantas vezes quiser, o que reduz a frustração e incentiva a experimentar diferentes estratégias.

Além da campanha, DUCK inclui vários modos extra. Existe um modo Golden Duck, no qual cada jogo deve ser completado três vezes, aumentando progressivamente a dificuldade. Para quem gosta de competir, há dois modos multijogador, um competitivo por turnos e outro cooperativo, passado numa casa assombrada, que pode ser jogado por até quatro pessoas.

Mundo e história

Embora seja essencialmente uma coleção de mini-jogos, DUCK surpreende ao apresentar uma narrativa leve, mas divertida. Tudo começa quando um grupo de patos encontra um misterioso cartucho 100-em-1. Quando o inserem na sua consola DES, libertam um espírito maligno que os força a completar todos os jogos incluídos. A estrutura da história é dividida por capítulos, cada um centrado num pato diferente, o que dá uma sensação de progressão e personaliza a experiência.

Durante os mini-jogos, surgem personagens recorrentes que ajudam a dar coesão ao mundo do jogo. Entre eles estão um explorador da selva sempre em apuros, um anão bêbedo com desafios relacionados com barris de cerveja, um cientista maluco desesperado por um assistente e uma família de insetos a lutar pela sobrevivência. Estas figuras criam um fio condutor leve entre os jogos, fazendo com que o universo de DUCK pareça mais coeso.

As referências à cultura pop estão por todo o lado. Existem piadas relacionadas com consolas antigas, como a Dendy, uma famosa cópia russa da NES, bem como uma boa dose de memes da internet. Estes elementos reforçam o tom humorístico do jogo e garantem momentos de riso inesperados, especialmente para os jogadores que reconhecem estas referências.

Grafismo

Graficamente, DUCK é uma carta de amor aos videojogos retro. Cada mini-jogo tem um estilo visual próprio, indo de gráficos extremamente simples, quase monocromáticos, a visuais mais complexos e detalhados inspirados na era 16-bit. Esta variedade dá a sensação de estar a folhear a história dos videojogos, com homenagens claras a títulos clássicos e géneros antigos.

As cutscenes são bem desenhadas e contribuem para a atmosfera única do jogo, com traços que lembram desenhos animados dos anos 90. A interface do utilizador é nostálgica e eficaz, recriando a sensação de estar a usar uma consola antiga, mas sem sacrificar a funcionalidade moderna.

No entanto, nem todos os mini-jogos são visualmente consistentes. Alguns parecem menos polidos, como se tivessem sido propositadamente criados para parecerem jogos mal acabados, reforçando a piada em torno dos cartuchos piratas 100-em-1. Esta escolha pode não agradar a todos, mas encaixa bem no conceito geral do jogo.

Som

A componente sonora segue a mesma filosofia do grafismo, variando bastante entre os diferentes mini-jogos. A banda sonora mistura músicas chiptune clássicas com temas mais elaborados, criando uma sensação autêntica de nostalgia. Cada jogo tem a sua própria identidade sonora, com efeitos que remetem para consolas antigas e sons característicos de diferentes épocas dos videojogos.

Os efeitos sonoros são intencionalmente exagerados ou caricaturais, ajudando a criar um ambiente humorístico. Alguns mini-jogos usam sons propositadamente irritantes ou estranhos, reforçando a ideia de que estamos a lidar com uma coleção bizarra de experiências vindas de um cartucho misterioso. Este detalhe mostra o cuidado da equipa de desenvolvimento em tornar cada mini-jogo único, mesmo em algo tão simples como a escolha dos efeitos sonoros.

Conclusão

DUCK: Dangerous Ultimate Cartridge Kidnapper é uma celebração da história dos videojogos e da cultura retro, envolta num humor absurdo e numa narrativa simples, mas eficaz. A mistura de 100 mini-jogos garante uma experiência variada, onde nunca sabemos o que esperar a seguir. Embora nem todos os jogos tenham a mesma qualidade, e alguns possam ser frustrantes ou mal equilibrados, a quantidade e a criatividade compensam essas falhas.

A campanha principal oferece cerca de duas horas de diversão, podendo estender-se para muito mais tempo graças aos modos extra e ao multijogador. A presença de referências culturais, memes e personagens estranhas mantém a experiência divertida e imprevisível.

Apesar de alguns problemas de precisão nos controlos e de certos mini-jogos menos conseguidos, DUCK consegue capturar a magia dos jogos antigos enquanto oferece algo novo e surpreendente. É uma carta de amor aos videojogos, mas também uma sátira a eles, perfeita para quem cresceu na era dos cartuchos e quer reviver essa sensação com uma boa dose de humor.

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