Análise: Folly of the Wizards

O género roguelike tem vivido um verdadeiro renascimento na última década, e Folly of the Wizards tenta juntar-se a essa vaga de sucesso com uma proposta que mistura ação, humor e magia. À primeira vista, o jogo parece uma curiosa fusão entre The Binding of Isaac e Zelda II: The Adventure of Link, embrulhada num estilo visual que faz lembrar Hollow Knight. A promessa é simples: uma aventura desafiante e imprevisível, cheia de humor e fantasia sombria. No entanto, por detrás do seu charme inicial, esconde-se um jogo que luta para manter o interesse e consistência ao longo das horas.

Jogabilidade

Folly of the Wizards apresenta-se como um roguelike de ação lateral, onde controlamos um jovem feiticeiro que tenta sobreviver a um mundo repleto de perigos. As masmorras são geradas de forma procedural, garantindo que cada tentativa é diferente da anterior. O combate baseia-se em feitiços que podem ser modificados através de relíquias e pergaminhos, criando combinações variadas de ataques e efeitos. Como em qualquer bom roguelike, a morte é inevitável, mas serve para aprender e melhorar a cada tentativa.

O problema é que, embora o conceito seja sólido, a execução deixa a desejar. Os controlos são pouco intuitivos e até desconfortáveis, com as funções de salto e desvio atribuídas aos botões dos ombros do comando, o que resulta em vários erros de timing. Pior ainda, o jogo não permite alterar o mapeamento dos botões, o que torna difícil adaptar-se. A sensação é de que se está constantemente a lutar contra o comando, em vez de lutar contra os inimigos. Além disso, a curva de dificuldade é abrupta, atirando o jogador para combates exigentes logo desde o início, sem grande margem de aprendizagem.

Mundo e história

A narrativa de Folly of the Wizards é simples, mas tem o seu encanto. Num mundo ameaçado por forças obscuras, os feiticeiros mais poderosos desapareceram, deixando apenas os aprendizes para tentar resolver o caos. O protagonista é um desses aprendizes, e a história desenrola-se através de encontros com figuras excêntricas que oferecem ajuda, conselhos ou simplesmente piadas sarcásticas. Há também um sistema de reputação que permite ganhar ou perder o favor destas personagens consoante as escolhas de diálogo, o que adiciona alguma profundidade ao enredo.

Apesar disso, o mundo rapidamente começa a mostrar sinais de repetição. Os mesmos quatro NPCs aparecem em todos os andares, com as mesmas falas e reações, e o sistema de reputação perde impacto com o tempo. O que inicialmente parecia um toque criativo transforma-se numa rotina cansativa. É uma pena, porque o tom humorístico e o estilo narrativo tinham potencial para dar mais personalidade ao jogo.

Grafismo

Visualmente, Folly of the Wizards é, sem dúvida, apelativo. O estilo artístico é detalhado, com ambientes coloridos e um toque sombrio que combina bem com a temática mágica. As animações são fluidas e os efeitos de feitiços têm bom impacto visual. É fácil perceber que o estúdio investiu tempo na apresentação estética, e o resultado é um jogo que impressiona à primeira vista.

No entanto, tal como o resto da experiência, o grafismo sofre com a repetição. As salas começam a parecer-se demasiado entre si e os inimigos não variam o suficiente para manter o interesse visual. Até os bosses, que deveriam ser momentos marcantes, acabam por ser poucos e pouco distintos. Apesar da boa direção artística, falta variedade e inovação no design das áreas, o que faz com que a experiência perca frescura rapidamente.

Som

A banda sonora de Folly of the Wizards é competente e ajuda a criar uma atmosfera envolvente, misturando melodias sombrias com momentos mais leves que refletem o humor do jogo. Os efeitos sonoros são satisfatórios e reforçam o impacto dos feitiços e dos combates, enquanto a dublagem, presente em algumas cenas, acrescenta vida às personagens. Ainda assim, tal como o resto do jogo, o som acaba por cair na repetição. As faixas musicais são boas, mas poucas, e tornam-se previsíveis após várias horas. Fica a sensação de que o potencial sonoro poderia ter sido mais explorado para reforçar o tom cómico e mágico da aventura.

Conclusão

Folly of the Wizards é um jogo que encanta nos primeiros minutos, mas perde o fôlego com o tempo. A sua apresentação inicial promete um roguelike desafiante e cheio de carisma, mas a falta de polimento e variedade acaba por trair essa promessa. Os controlos desconfortáveis, a ausência de opções básicas de personalização e as descrições pouco claras dos itens tornam a progressão mais frustrante do que recompensadora. O sistema de reputação e o humor das personagens dão-lhe alguma originalidade, mas rapidamente se esgotam devido à repetição e falta de conteúdo novo.

Ainda assim, há mérito no que o jogo tenta fazer. A direção artística é bela, a atmosfera é cativante e há momentos de diversão genuína, especialmente nas primeiras horas. Infelizmente, essas qualidades não são suficientes para sustentar o jogo a longo prazo. Folly of the Wizards é uma lição de como uma boa ideia e uma boa apresentação não bastam sem um design consistente e uma execução cuidada. Para os fãs mais dedicados do género, pode valer uma tentativa, mas para a maioria, é uma experiência que começa como magia e acaba como desilusão.

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