Análise: Skate Story

Skate Story é um jogo de skate desenvolvido por Sam Eng e publicado pela sempre divertida Devolver Digital. Desde o primeiro momento, o jogo destaca-se pelo seu conceito invulgar: controlamos um demónio feito de vidro e dor que se vê obrigado a percorrer o Submundo de skate para recuperar a sua alma. A premissa é tão estranha quanto fascinante e, combinada com uma direção artística arrojada, consegue prender a atenção mesmo de quem já perdeu a esperança de encontrar um bom jogo de skate. O título foi inicialmente lançado em Early Access, criando expectativas para quem ansiava por algo diferente de jogos como Session: Skate Sim ou Skate, e agora chega à versão completa, pronta a desafiar os jogadores com uma experiência única e surreal.

Skate Story mistura de forma inesperada narrativa e jogabilidade, oferecendo uma aventura que é tanto visualmente impressionante como divertida de controlar. O jogo não se leva demasiado a sério, mas consegue apresentar momentos memoráveis fora do skate, com uma história que, mesmo quando parece confusa, consegue criar uma atmosfera envolvente. Entre saltos, combos e recolha de itens, a experiência de jogar Skate Story é marcada por uma liberdade de exploração e pela sensação de que cada local do Submundo é um skate park à espera de ser descoberto.

Jogabilidade

O núcleo da jogabilidade em Skate Story é simples, mas profundo. Baseia-se numa combinação entre a rapidez de Tony Hawk’s Pro Skater e a sensação mais realista de skate urbano de Skate. Todos os truques se concentram num botão principal, o Ollie, e é através da manipulação dos analógicos e dos botões de ombro que se modificam e combinam os truques. Desde kickflips e heelflips até impossibles e treflips, há uma variedade de manobras para explorar, com uma curva de aprendizagem que recompensa a precisão e o timing. Grindar rails, girar, fazer manuals e, sobretudo, usar o Stomp para converter combos em dano contra inimigos ou bosses, acrescenta uma camada estratégica à experiência, tornando cada sessão de jogo única e desafiante.

O controlo do jogo consegue equilibrar o realismo e a diversão arcade, permitindo que o jogador sinta o peso e o ritmo do skate sem se sentir frustrado. Algumas mecânicas, como os truques Nollie, podem parecer menos intuitivas devido à sua associação ao D-Pad, mas no geral, o sistema responde bem e proporciona uma sensação gratificante quando se consegue ligar linhas de truques complexas. A recolha de Souls, que serve para desbloquear personalizações para a prancha, adiciona ainda mais incentivo para explorar cada canto do Submundo, embora certas limitações, como a impossibilidade de substituir rodas ou trucks e a permanência dos stickers, possam ser frustrantes para jogadores mais perfeccionistas.

Mundo e história

A história de Skate Story é estranha, enigmática e por vezes absurda, mas é precisamente isso que a torna interessante. Controlamos um demónio que precisa de skate para percorrer o Submundo e devorar luas, numa narrativa que é simultaneamente simbólica e cativante. O enredo não se explica por completo e parece funcionar como metáfora para algo maior, mas é apresentado de forma que faz sentido dentro do universo do jogo. Os diálogos e os eventos secundários ajudam a criar momentos memoráveis que se complementam perfeitamente com a ação de skate, mantendo o jogador curioso sobre o que virá a seguir.

O Submundo é o verdadeiro protagonista visual do jogo. Cada área é ao mesmo tempo um parque de skate e uma obra de arte psicadélica, com cores vibrantes, sombras ameaçadoras e detalhes cuidadosamente construídos que criam uma atmosfera única. Apesar da intensidade visual, há sempre espaço para explorar, experimentar linhas de truques e descobrir segredos. A narrativa é complementada pelo design dos níveis, que combina liberdade de exploração com desafios e colecionáveis, mantendo o jogador constantemente envolvido na história e na progressão do seu personagem.

Grafismo

O grafismo de Skate Story é impressionante e merece destaque. A direção artística consegue equilibrar o surrealismo com uma sensação de skate realista, resultando em ambientes que são simultaneamente estranhos e familiares. As cores, iluminação e efeitos visuais criam uma experiência imersiva, enquanto a ausência de sobrecarga de detalhes garante que o jogo se mantém legível e divertido. Cada área tem uma personalidade própria, desde espaços mais escuros e ameaçadores até locais mais vibrantes e relaxantes, todos concebidos para estimular tanto a exploração como a execução de truques.

Apesar do estilo artístico único, o jogo apresenta advertências legítimas para jogadores sensíveis a flashes e movimentos rápidos. A intensidade visual pode ser esmagadora em certas zonas, especialmente durante combos ou confrontos com bosses. Ainda assim, a estética de Skate Story é uma das suas maiores forças, transformando o Submundo num local que dá vontade de explorar e de usar como pista de skate improvisada.

Som

A banda sonora de Skate Story é outro dos seus grandes pontos fortes. Composta pelo artista de Nova Iorque Blood Cultures, com faixas adicionais de John Fio, a música acompanha perfeitamente cada momento do jogo. É relaxante quando se explora e cumpre objetivos mais simples, e intensifica-se de forma energética durante desafios mais exigentes ou combates contra bosses. O som complementa a sensação de skate de forma impecável, criando um ambiente que faz o jogador querer repetir linhas de truques e experimentar combinações novas.

Além da música, os efeitos sonoros do skate, do Stomp e das colisões com o ambiente contribuem para a imersão. Cada manobra tem um impacto auditivo que reforça a sensação de peso e velocidade, tornando a experiência mais tátil e gratificante. Para quem usa headphones, a atenção à qualidade sonora é evidente, embora seja recomendado moderar o volume em certas sequências mais intensas.

Conclusão

Skate Story é uma experiência única no género de jogos de skate. Combina uma premissa invulgar com mecânicas de jogo sólidas, direção artística impressionante e uma banda sonora envolvente, resultando num título que se destaca tanto visual como jogavelmente. Apesar de algumas limitações, como a impossibilidade de repetir capítulos da história ou certas escolhas de personalização permanentes, o jogo consegue criar momentos memoráveis que vão ficar na memória de qualquer jogador.

Em última análise, Skate Story é recomendado para qualquer fã de skate ou para quem procura um jogo diferente, capaz de combinar humor, surrealismo e desafio numa só experiência. É uma aventura que convida a explorar, experimentar e, acima de tudo, a divertir-se enquanto se desliza pelo Submundo em busca das suas luas, provando que o skate pode ser tanto artístico como brutalmente divertido. Não deixem passar esta oportunidade de jogar algo verdadeiramente original.

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