UNYIELDER é um jogo desenvolvido pela TrueWorld Studios e publicado pela SHUEISHA GAMES, que tenta juntar uma quantidade improvável de géneros num só: um FPS de movimento rápido, roguelite, looter shooter e boss rush. A descrição soa confusa, mas o resultado é uma das experiências mais intensas e técnicas dos últimos tempos. Coloca-nos em combates frenéticos, repletos de tiros, esquivas e contra-ataques, onde cada erro pode custar a vitória. É um jogo que exige reflexos rápidos, paciência e uma boa dose de persistência, recompensando quem se adapta ao seu ritmo violento e caótico.
Jogabilidade
O núcleo de UNYIELDER é simples: derrotar todos os bosses. É uma sucessão constante de combates, cada um mais exigente do que o anterior. O jogo explica apenas o essencial, deixando o jogador descobrir o resto por tentativa e erro. Este estilo, que lembra os roguelites mais duros, cria uma curva de aprendizagem acentuada, mas também uma grande sensação de progresso pessoal. A cada derrota, o jogador compreende melhor o ritmo, as mecânicas e os timings que permitem sobreviver.
Há mais de trinta armas para descobrir, divididas entre munição leve, pesada e algumas de corpo a corpo, como espadas e foices. Cada arma tem disparos alternativos e perks que modificam o seu comportamento, o que permite experiências variadas de combate. No entanto, nem todas são equilibradas. Algumas têm mecânicas estranhas ou menos práticas que dificultam a sua utilização eficaz. A gestão de munição é um desafio constante: o jogo obriga o jogador a dominar o contra-ataque para reabastecer munição, vida e escudos. Quando um inimigo se prepara para atacar, surge um flash — é o momento certo para disparar ou atacar corpo a corpo. Se o timing for perfeito, as recompensas são maiores. Esta mecânica, inspirada em DOOM (2016), incentiva uma abordagem agressiva e direta.
Os inimigos e bosses são brutais. Existem mais de quarenta, todos com padrões únicos de ataque. A velocidade e intensidade das batalhas obrigam o jogador a abusar do dash e do contra-ataque. Quando se esgota uma secção da barra de vida de um boss, este fica atordoado, abrindo uma breve janela para um ataque especial corpo a corpo que devolve recursos preciosos. É um ciclo constante de risco e recompensa, onde hesitar significa morrer.

Mundo e história
A ação decorre em EREBUS, uma cidade em ruínas que já foi a capital da Antártida. O ano é 1972, e o mundo foi devastado por um evento apocalíptico. O jogador assume o papel de Patty, uma das poucas pessoas despertadas num cenário de destruição total. Sem memórias ou alternativas, Patty junta-se a outros sobreviventes numa missão desesperada por escapar deste inferno enferrujado.
Embora a narrativa seja mínima e a exposição quase inexistente, o ambiente carrega uma aura de mistério e desespero. A mistura de ficção científica retro e ruínas industriais cria um cenário intrigante, quase pós-humanista. Não é um jogo que viva da história, mas o contexto dá um peso interessante à progressão. O verdadeiro foco está no simbolismo da resistência — refletido tanto na personagem principal como no título do jogo.
Grafismo
Visualmente, UNYIELDER impressiona pela clareza e pela escolha estética. O estilo lembra um anime de ação, com leves toques de cel-shading. As cores são propositadamente apagadas, o que destaca as animações e os ataques dos inimigos, cruciais para a leitura do campo de batalha. A decisão de apresentar alguns efeitos e animações a uma taxa inferior de fotogramas, talvez 24 FPS, enquanto o resto corre a 60, é um toque artístico que aumenta a visibilidade e o impacto visual dos alertas de perigo.
Os bosses são visualmente distintos, enormes máquinas e criaturas metálicas que parecem saídas de uma fusão entre Evangelion e DOOM. Apesar do caos em ecrã, o desempenho técnico é surpreendentemente estável, sem quebras notáveis de FPS. Há, contudo, pequenos problemas de clipping e glitches ocasionais, como bosses presos na geometria do cenário ou a câmara a atravessar o chão durante cinemáticas. São falhas menores num conjunto tecnicamente sólido.

Som
A banda sonora de UNYIELDER é pura adrenalina. As faixas eletrónicas, rápidas e intensas, acompanham perfeitamente a ação. O som dos disparos, explosões e efeitos mecânicos cria uma imersão brutal, mas também compete com a música — há momentos em que é difícil ouvi-la entre o caos do combate. Ainda assim, quando se consegue apreciar, percebe-se o cuidado colocado na composição.
O design de som complementa o ritmo do jogo, ajudando o jogador a reagir aos ataques e às oportunidades de contra-ataque. O único ponto negativo é que o volume elevado e o ritmo constante podem ser cansativos em sessões longas. Mas é precisamente essa intensidade sonora que reforça o sentimento de urgência e desafio.
Conclusão
UNYIELDER é um espetáculo visual e auditivo que combina velocidade, precisão e dificuldade num só pacote. Não é um jogo para todos. Exige tempo, reflexos apurados e uma boa dose de frustração controlada. Os combates são incrivelmente satisfatórios, as mecânicas de contra-ataque recompensam o domínio e a apresentação é estilisticamente marcante.
Por outro lado, a progressão lenta e a falta de acessibilidade inicial podem afastar quem procura uma experiência mais direta. O jogo não explica muito, não perdoa erros e não oferece pausas. Mas para os jogadores que gostam de desafios exigentes e da sensação de ultrapassar limites, UNYIELDER é um verdadeiro teste de habilidade. É um daqueles títulos que não só põem o jogador à prova, como também o ensinam a jogar melhor — mesmo que seja à custa de algumas derrotas humilhantes pelo caminho.