O género zombie tem uma presença quase constante no mundo dos videojogos, tal como acontece no cinema ou na banda desenhada. É fácil argumentar que estamos perante um tema saturado, explorado até à exaustão, mas a verdade é que continua a existir espaço para propostas mais pequenas, focadas e conscientes das suas limitações. Zombies Overloaded enquadra-se precisamente nesse grupo. Não é um título de grande orçamento nem tenta contar uma história complexa ou emocionalmente carregada. Em vez disso, aposta numa experiência directa, rápida e pensada para sessões curtas, daquelas que se jogam antes de sair de casa ou para desligar durante uns minutos ao fim do dia. É um jogo que sabe exactamente o que quer ser e que constrói toda a sua identidade em torno de um ciclo de jogo simples, mas eficaz. Ao longo desta análise vamos perceber se essa simplicidade joga a seu favor ou se acaba por limitar demasiado a experiência.
Jogabilidade
Zombies Overloaded é um twin stick shooter de perspectiva top-down, assente num loop clássico: entrar numa arena, sobreviver a vagas sucessivas de inimigos, ganhar moedas, desbloquear melhorias e tentar ir um pouco mais longe da próxima vez. A aprendizagem é praticamente imediata. Em poucos minutos percebemos como nos movimentar, disparar, usar o dash e recolher power-ups. Esta acessibilidade é uma das maiores virtudes do jogo, tornando-o ideal tanto para jogadores experientes como para quem apenas procura algo descomplicado.
O ritmo é rápido e constante, obrigando a uma movimentação permanente para evitar ser cercado. O dash assume um papel fundamental, não só como ferramenta defensiva, mas também como elemento táctico para reposicionamento. Apesar da simplicidade dos controlos, existe uma boa sensação de controlo sobre a personagem, algo essencial num jogo onde um erro pode significar o fim da run.
O problema começa a surgir quando a dificuldade aumenta de forma algo abrupta. Por volta da décima ronda, especialmente nas primeiras tentativas, o jogo torna-se consideravelmente mais exigente. Sem melhorias suficientes, a progressão pode transformar-se num pequeno teste à paciência, obrigando o jogador a repetir várias rondas apenas para acumular moedas. Ainda assim, este aumento de dificuldade acaba por reforçar a sensação de conquista quando finalmente se desbloqueiam melhorias relevantes.

Mundo e história
Zombies Overloaded não tem propriamente uma história e nem tenta fingir que tem. Não há cutscenes, diálogos elaborados ou contexto narrativo aprofundado. O jogador é atirado para o meio da acção e pronto. Curiosamente, esta ausência de narrativa funciona a favor do jogo. Não existe a necessidade de justificar a origem dos zombies ou o motivo pelo qual a personagem se encontra ali. O foco está exclusivamente na jogabilidade.
Este minimalismo narrativo é coerente com o tipo de experiência proposta. Existem inúmeros jogos de zombies focados em histórias longas e elaboradas, mas Zombies Overloaded opta por seguir outro caminho. Aqui, o mundo serve apenas como palco para a acção, e isso é suficiente. As diferentes arenas apresentam pequenas variações visuais e funcionais, mas nunca tentam contar uma história ambiental complexa. É um jogo honesto nesse aspecto, que não promete mais do que aquilo que entrega.
Grafismo
Visualmente, Zombies Overloaded aposta num estilo simples e funcional, com um toque cartoon que se adapta bem à violência exagerada e à acção constante. A perspectiva top-down é clara e eficaz, permitindo uma leitura imediata do espaço e dos inimigos. Nunca senti que estivesse a perder informação visual importante, mesmo nos momentos de maior caos.
A variedade de inimigos é facilmente identificável, tanto pelo design como pelas animações, o que ajuda na tomada rápida de decisões. As rondas com bosses conseguem transmitir uma sensação de ameaça adicional, sem recorrer a exageros visuais desnecessários. Um dos elementos mais interessantes do estilo gráfico são os painéis ilustrados que surgem ocasionalmente, seja após uma morte espectacular ou a activação de um power-up como a nuke. Estes detalhes dão alguma personalidade ao jogo e quebram a monotonia visual.
A presença de sangue e efeitos de destruição é constante, mas enquadra-se bem no tom geral do jogo. O único problema técnico digno de nota surge no menu principal, onde podem ocorrer pequenos glitches visuais. Felizmente, durante a jogabilidade propriamente dita, a experiência é bastante fluida e estável.

Som
O trabalho sonoro acompanha bem a acção e reforça o impacto da jogabilidade. A banda sonora é energética, com um tom ligeiramente rock, ideal para manter o ritmo elevado durante as rondas. Não é particularmente memorável, mas cumpre perfeitamente a sua função, nunca se tornando irritante ou repetitiva.
Os efeitos sonoros das armas são variados e distintos, ajudando a diferenciar cada tipo de armamento. O som do lança-chamas, das armas automáticas ou das explosões transmite uma boa sensação de impacto. Os zombies emitem gemidos e sons viscosos ao serem destruídos, contribuindo para a atmosfera sem exageros. Um dos destaques inesperados é a narração associada a certas acções, como apanhar uma nova arma ou incendiar inimigos. A voz é rouca e cheia de atitude, e apesar de se repetir ao longo do tempo, raramente se torna cansativa. É um pequeno detalhe que acaba por adicionar personalidade à experiência.
Conclusão
Zombies Overloaded não tenta reinventar o género dos twin stick shooters nem oferecer uma experiência profunda ou inovadora. Em vez disso, apresenta-se como um jogo directo, acessível e focado em proporcionar diversão imediata. O seu maior trunfo está na forma como assume a sua identidade: um título pensado para sessões curtas, onde o jogador entra, dispara durante alguns minutos e sai satisfeito.
A jogabilidade é sólida e viciante, especialmente quando se começa a desbloquear melhorias e a experimentar diferentes armas e power-ups. Apesar de alguma progressão algo grindy e de uma falta de variedade mais acentuada em mapas e modos, o jogo consegue manter o interesse durante bastante tempo, sobretudo para quem aprecia desafios baseados em leaderboard.
Visualmente simples, mas eficaz, e acompanhado por um trabalho sonoro competente, Zombies Overloaded acaba por ser uma proposta muito equilibrada dentro do seu preço e ambição. Não é um jogo que vá ocupar dezenas de horas seguidas, mas também não pretende fazê-lo. Para fãs do género zombie ou de shooters top-down à procura de algo rápido e divertido, é uma recomendação fácil. É mais um exemplo de como um jogo pequeno, quando bem executado, pode deixar uma impressão bastante positiva.