Antevisão: Codex Mortis

Codex Mortis apresenta-se como um survival bullet hell de inspiração necromântica, onde o jogador assume o papel de um feiticeiro da morte capaz de manipular cadáveres, almas e rituais proibidos. A premissa é simples e familiar para quem acompanha o género: sobreviver a vagas incessantes de inimigos enquanto se constrói uma personagem cada vez mais poderosa através de sinergias, melhorias e decisões estratégicas. No entanto, por detrás desta ideia clássica, Codex Mortis tenta diferenciar-se através de um foco maior na preparação antes de cada missão e na combinação profunda de escolas de magia negra, prometendo uma experiência caótica, explosiva e recheada de escolhas tácticas.

Jogabilidade
A estrutura do jogo assenta em dois momentos bem distintos. Antes de cada missão, o jogador planeia cuidadosamente a sua abordagem, escolhendo habilidades, companheiros e melhorias que irão definir o estilo de jogo. Existem cinco escolas de magia diferentes, desde Necromancia e Invocação até Magia de Sangue, Almas e Maldições, cada uma com efeitos específicos que podem ser combinados para criar sinergias devastadoras. Durante a missão, a acção desenrola-se num ritmo rápido, com enxames de inimigos a invadir o ecrã enquanto o jogador detona corpos, invoca exércitos de mortos-vivos e sacrifica recursos para causar explosões de larga escala. A ideia de ver um plano previamente traçado ganhar vida no campo de batalha é interessante, mas a execução nem sempre é clara, tornando algumas decisões difíceis de compreender em pleno combate.

Mundo e história
Narrativamente, Codex Mortis aposta num universo sombrio e pouco acolhedor, dominado pela morte e por forças imortais. O objectivo principal passa por recolher páginas antigas, derrotar guardiões de portais e impedir que uma entidade imortal chamada Lothar alcance o jogador. Pelo caminho, é possível realizar rituais, enfrentar guardiões de artefactos amaldiçoados e recolher urnas que contêm as almas de heróis caídos. Apesar destes elementos sugerirem um mundo rico em mitologia negra, a narrativa é apresentada de forma bastante superficial, servindo mais como enquadramento temático do que como uma história verdadeiramente envolvente.

Grafismo
Visualmente, Codex Mortis adopta um estilo genérico dentro do género, com efeitos visuais simples e inimigos pouco distintos entre si. As animações cumprem o mínimo necessário para transmitir a acção, mas raramente impressionam. Em momentos de maior caos, o ecrã enche-se de partículas e explosões que, apesar de transmitirem poder, também contribuem para alguma confusão visual. A direcção artística acaba por não conseguir destacar-se, dando a sensação de um jogo funcional mas pouco inspirado, especialmente quando comparado com outros títulos semelhantes no mercado.

Som
O trabalho sonoro acompanha essa sensação de irregularidade. A música tenta criar uma atmosfera sombria, mas revela-se repetitiva e pouco memorável, falhando em reforçar a identidade do jogo. Os efeitos sonoros cumprem a sua função básica, sinalizando ataques e impactos, mas carecem de peso e variedade. A ausência de elementos vocais ou de sons mais marcantes faz com que o ambiente sonoro pareça vazio, retirando impacto emocional aos momentos mais intensos da jogabilidade.

Conclusão
Codex Mortis é um jogo com ideias interessantes e uma premissa apelativa para fãs de bullet hell e fantasia negra, especialmente pela ênfase na preparação estratégica e na combinação profunda de habilidades. No entanto, a falta de clareza em algumas mecânicas, aliada a uma apresentação audiovisual pouco inspirada, acaba por limitar o seu potencial. Existe diversão a extrair para quem gosta de experimentar builds e explorar sinergias, mas o jogo raramente atinge o nível de polimento necessário para se destacar num género já saturado. Codex Mortis fica assim como uma experiência competente, mas que dificilmente deixará uma marca duradoura.Todo o jogo parece ter sido desenvolvido recorrendo a IA e o resultado da demo representa isso, oferecendo algo completamente genérico a todos os níveis.

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