Há jogos que não querem mudar o mundo nem reinventar géneros. Querem apenas pegar numa fórmula clássica, afiná-la com carinho e lembrar-nos porque é que nos divertimos tanto com ela no passado. Pie in the Sky encaixa exactamente nesse perfil. É um jogo pequeno, direto e feito com uma clara admiração pela era dourada dos jogos de skate arcade, em particular pelos títulos que marcaram gerações com mapas compactos, objetivos claros e uma obsessão saudável por pontuações altas e segredos bem escondidos.
Jogabilidade
A base de Pie in the Sky é simples e eficaz. Cada mapa apresenta uma lista de tarefas que parecem saídas diretamente de um manual clássico do género: alcançar uma pontuação elevada, apanhar colecionáveis, cumprir desafios de deslocação e descobrir objetivos secretos. Tudo isto incentiva a exploração inteligente do espaço e a repetição constante das áreas, sempre com o objetivo de otimizar percursos e movimentos.
O jogo é consciente da força desta fórmula e não tenta complicá-la. O controlo é responsivo, fluido e suficientemente permissivo para permitir experiências e improvisação, mas também exige precisão quando se tenta atingir os objetivos mais exigentes. É um ciclo de jogo testado pelo tempo e que continua a funcionar surpreendentemente bem.

Mundo e história
Pie in the Sky não aposta numa narrativa pesada ou complexa. O contexto existe mais como enquadramento do que como elemento central. Controlamos uma personagem alada com um toque de vilão cartoonesco, lançada em mapas que parecem parques de diversões desenhados para a experimentação. O verdadeiro motor do jogo é a curiosidade.
Segredos surgem em todo o lado, recompensando quem presta atenção ao ambiente ou decide testar limites. Alguns desbloqueiam elementos cosméticos para personalizar a personagem, enquanto outros alteram subtilmente os mapas, abrindo novos caminhos ou removendo obstáculos. Completar um mapa a cem por cento desbloqueia ainda modelos alternativos completos, e não apenas variações de cor, o que acaba por ser uma surpresa bastante agradável.
Grafismo
Visualmente, Pie in the Sky aposta num estilo simples, colorido e expressivo. Os mapas são compactos, mas bem desenhados, com uma leitura clara do espaço que facilita a navegação em alta velocidade. Não há aqui grande ambição técnica, mas há coerência estética e uma identidade própria que combina bem com o tom leve e nostálgico da experiência.
As animações são suaves e ajudam a reforçar a sensação de fluidez, essencial num jogo que depende tanto do ritmo e da continuidade das ações.

Som
A componente sonora acompanha bem a jogabilidade, com uma banda sonora energética que incentiva a repetição de tentativas e a melhoria constante do desempenho. Os efeitos sonoros são claros e funcionais, dando feedback imediato às ações do jogador sem nunca se tornarem intrusivos. Tudo está ao serviço do fluxo do jogo.
Conclusão
Pie in the Sky é curto, não há como fugir a isso. Em cerca de três horas é possível completar a maioria dos objetivos principais, o que pode saber a pouco para quem fica agarrado ao seu núcleo jogável. Ainda assim, é uma experiência que nunca se arrasta nem desperdiça tempo. Não há enchimento artificial, apenas diversão concentrada.
É um jogo feito com respeito pelo passado e consciência das suas próprias limitações. Para quem cresceu a repetir mapas vezes sem conta à procura de segredos e pontuações perfeitas, Pie in the Sky é uma visita breve, mas reconfortante. Pode não durar tanto quanto gostaríamos, mas deixa vontade de voltar e, acima de tudo, vontade de apoiar quem ainda acredita neste tipo de design direto e honesto.