MARVEL Cosmic Invasion continua a expandir o seu elenco com o DLC Cyclops & The Thing, um pequeno pacote de conteúdo que adiciona duas figuras icónicas do universo Marvel ao beat ‘em up da Tribute Games. Depois de um lançamento muito bem recebido pelos fãs do género arcade, este primeiro DLC surge com uma missão simples: aumentar a variedade do plantel sem mexer demasiado na estrutura do jogo base. O resultado é um conteúdo modesto em dimensão, mas bastante eficaz naquilo que realmente importa para este tipo de experiência: dar aos jogadores novas formas de combater, criar equipas diferentes e explorar sinergias inéditas.
À primeira vista, pode parecer um DLC demasiado pequeno para justificar grande entusiasmo. Afinal, não existem novos níveis, inimigos ou modos de jogo incluídos neste pacote. No entanto, a verdade é que Cyclops e The Thing acabam por alterar bastante o ritmo das partidas graças aos seus estilos de combate completamente distintos. São duas personagens desenhadas para preencher nichos específicos dentro do elenco, ao mesmo tempo que conseguem respeitar de forma impressionante as personalidades e poderes das versões das bandas desenhadas.
Cyclops entra como um combatente focado em controlo de espaço e ataques à distância, enquanto The Thing assume o papel de tanque agressivo, especializado em agarrões e pancadaria pura. A combinação dos dois funciona extremamente bem, especialmente em cooperativo, e acaba por reforçar um dos maiores pontos fortes de MARVEL Cosmic Invasion: a capacidade de criar equipas que parecem verdadeiros cruzamentos entre heróis da Marvel.
A receção da comunidade também tem sido bastante positiva. Muitos jogadores elogiam não apenas a fidelidade das personagens, mas também o preço reduzido do DLC, que oferece duas novas personagens jogáveis por um valor bastante acessível. Outros apontam a ausência de conteúdo adicional como a principal limitação do pacote, especialmente para quem já completou o jogo base e procurava uma razão mais forte para regressar.
Ainda assim, enquanto primeiro passo para o futuro pós-lançamento do jogo, Cyclops & The Thing deixa boas indicações. Mostra uma equipa de desenvolvimento que compreende perfeitamente o material original e que sabe adaptar personagens clássicas ao formato arcade sem perder identidade.

Jogabilidade das novas personagens
Cyclops é provavelmente a grande estrela deste DLC. Durante muitos anos, Scott Summers foi frequentemente deixado para segundo plano em jogos Marvel, mas aqui recebe finalmente um tratamento digno da sua importância dentro dos X-Men. A Tribute Games conseguiu transformar os seus famosos raios ópticos num elemento central da jogabilidade sem que a personagem pareça desequilibrada ou demasiado dependente de ataques à distância.
Os disparos de energia cinética atravessam inimigos, controlam multidões e permitem atingir adversários em posições elevadas graças à capacidade de disparar na diagonal. Esta pequena decisão muda completamente a forma como certas batalhas são abordadas, especialmente contra inimigos voadores ou grupos mais agressivos. Cyclops torna-se excelente a manter combos vivos enquanto elimina ameaças afastadas do combate principal.
Apesar da vertente ranged, continua a ser uma personagem bastante rápida e fluida no combate corpo a corpo. Muitos dos seus golpes foram claramente pensados para criar juggling constante, mantendo inimigos no ar enquanto o jogador alterna entre disparos e ataques físicos. Existe um ritmo muito técnico no seu estilo de combate, quase como se fosse uma personagem feita para jogadores que gostam de dominar sistemas de combo mais avançados.
O ataque especial merece também destaque. A animação do ultimate é explosiva, cheia de impacto visual e extremamente fiel à imagem clássica de Cyclops nas bandas desenhadas e séries animadas. É daqueles momentos que arrancam imediatamente um sorriso aos fãs dos X-Men.
Já The Thing aposta numa filosofia completamente diferente. Ben Grimm é força bruta do início ao fim. Cada murro parece ter peso verdadeiro, e a sensação de impacto é talvez uma das melhores de todo o jogo. Enquanto Cyclops privilegia velocidade e precisão, The Thing existe para esmagar tudo aquilo que aparece à frente.
Os agarrões são o centro da sua jogabilidade. Muitas das suas habilidades giram em torno de controlar inimigos fisicamente, lançando-os contra outros adversários ou criando espaço no campo de batalha. O interessante é que, apesar do tamanho massivo, The Thing surpreende pela mobilidade. Algumas habilidades permitem-lhe atravessar cenários rapidamente ou saltar sobre grupos inimigos de forma inesperada.
Existe quase uma sensação de wrestler arcade na forma como se movimenta e combate. Cada entrada em combate é acompanhada de destruição, pancadas exageradas e animações muito expressivas. Não é apenas uma personagem forte; é uma personagem divertida. E isso faz toda a diferença num beat ‘em up.
A química entre os dois heróis também merece destaque. Cyclops controla o espaço aéreo enquanto The Thing domina o combate terrestre. Em cooperativo, esta complementaridade torna-se evidente rapidamente. Um jogador consegue manter inimigos afastados enquanto o outro mergulha no caos para distribuir pancadaria pesada.
O DLC também reforça algo muito importante: MARVEL Cosmic Invasion continua a provar que o seu elenco não é apenas uma coleção de skins diferentes. Cada personagem altera genuinamente a experiência de jogo. Os comentários da comunidade refletem precisamente isso, com muitos jogadores a elogiarem as novas combinações de equipa e as diferentes estratégias criadas pelas novas adições.
Visuais
Visualmente, Cyclops & The Thing mantém a excelente direção artística do jogo base. O trabalho de pixel art continua a ser um dos maiores trunfos de MARVEL Cosmic Invasion, e estas duas personagens encaixam perfeitamente no estilo visual inspirado nos clássicos arcade da década de 90.
Cyclops impressiona particularmente pelas animações dos raios ópticos. Existe uma intensidade luminosa muito bem conseguida nos disparos, sem nunca transformar o ecrã numa confusão visual. Cada ataque transmite velocidade e precisão, reforçando a imagem de líder disciplinado dos X-Men.
Já The Thing é pura personalidade em forma de sprite. As suas animações são exageradas da melhor maneira possível, com cada murro a transmitir brutalidade absoluta. O tamanho da personagem, combinado com expressões faciais caricaturais e poses exageradas, ajuda a capturar perfeitamente o charme clássico dos Fantastic Four.
Curiosamente, alguns jogadores chegaram mesmo a comentar que estas novas personagens parecem visualmente mais detalhadas do que parte do elenco original. Isso pode criar uma ligeira sensação de inconsistência, mas também demonstra o cuidado colocado pela equipa neste DLC.
As animações especiais são outro destaque. Tanto Cyclops como The Thing possuem ataques cinematográficos cheios de impacto, energia e personalidade. São momentos que conseguem replicar a sensação de estar a jogar uma versão moderna dos velhos beat ‘em ups da Capcom.

Som
O trabalho sonoro acompanha muito bem a qualidade visual do DLC. As vozes das personagens ajudam imenso a vender a identidade de cada herói, especialmente no caso de The Thing. As suas frases durante combate estão carregadas de carisma e humor, encaixando perfeitamente na personalidade clássica de Ben Grimm.
Cyclops, por outro lado, apresenta uma postura mais séria e disciplinada. As suas falas reforçam constantemente a ideia de líder estratégico, algo que combina perfeitamente com o seu estilo de combate mais técnico.
Os efeitos sonoros dos ataques também estão excelentes. Os raios ópticos de Cyclops têm potência suficiente para parecerem devastadores, enquanto os murros de The Thing soam pesados e destrutivos. Existe um impacto quase físico em alguns golpes, algo essencial num beat ‘em up.
A banda sonora mantém a mesma energia retro do jogo principal, misturando influências arcade clássicas com temas modernos cheios de ritmo. Não existem grandes novidades neste departamento, mas o importante é que tudo continua a funcionar extremamente bem.
A única pequena desilusão está na interação entre personagens. Apesar de Cyclops e The Thing terem linhas de diálogo específicas para outros membros do elenco, muitos heróis originais não respondem de forma única às novas personagens. Isso torna algumas trocas menos especiais do que poderiam ser, especialmente entre Cyclops e personagens ligadas aos X-Men.
Conclusão
Cyclops & The Thing é exatamente o tipo de DLC que muitos fãs queriam para MARVEL Cosmic Invasion: acessível, divertido e focado em expandir a jogabilidade sem complicações desnecessárias. Não tenta reinventar o jogo base nem adicionar sistemas completamente novos. Em vez disso, aposta em duas personagens extremamente bem construídas que conseguem enriquecer significativamente o combate.
Cyclops destaca-se como uma das personagens mais técnicas e satisfatórias do elenco, enquanto The Thing oferece pancadaria pura cheia de personalidade e impacto. Os dois complementam-se na perfeição e ajudam a reforçar a excelente variedade do roster principal.
É verdade que a ausência de novos níveis, modos ou conteúdo adicional limita um pouco o valor global do DLC, especialmente para quem já esgotou tudo o que o jogo tinha para oferecer. Ainda assim, pelo preço pedido, torna-se difícil criticar demasiado aquilo que é apresentado aqui.
Mais importante ainda, este DLC deixa confiança para o futuro de MARVEL Cosmic Invasion. Se as próximas expansões mantiverem este nível de qualidade no design das personagens, então o jogo poderá continuar a crescer durante bastante tempo. Para fãs de beat ‘em ups arcade, Marvel ou simplesmente boas personagens jogáveis, Cyclops & The Thing acaba por ser uma adição fácil de recomendar.