Análises

Análise: Liquidation

Liquidation entra em campo com uma responsabilidade pesada às costas. O jogo do estúdio Divio aponta directamente à herança de clássicos como Warcraft III e Warhammer 40,000: Dawn of War. Por isso, afasta-se da gestão económica rápida de outros lados. O foco aqui está naquilo que realmente importa nesta linhagem. Importa o posicionamento, a união das unidades e a leitura do terreno. É uma ideia que apela à nostalgia. Mas esta ideia esbarra de frente com a realidade do seu desenvolvimento.

Jogabilidade

A jogabilidade de Liquidation recusa a escola do clique rápido. Também recusa a gestão obsessiva de trabalhadores. Aqui o foco está no combate táctico. Controlar as tropas exige pensar no aproveitamento de coberturas. Exige também pensar em manobras para flanquear o inimigo e virar o rumo dos confrontos. Quando estas mecânicas funcionam em conjunto, o jogo entrega momentos de verdadeira satisfação. São momentos de estratégia pura. Nestes momentos, a inteligência em campo supera a velocidade dos dedos.

O grande problema está no estado actual desta experiência. O jogo foi lançado em Acesso Antecipado. Por causa disso, o título apresenta-se como um esqueleto daquilo que quer ser. A jogabilidade sofre com a falta de afinação. O equilíbrio de forças precisa de acertos urgentes. Há uma óbvia falta de polimento geral. Os seus antepassados espirituais ofereciam sistemas completos e acabados. Pelo contrário, Liquidation oferece ainda apenas uma promessa com mecânicas a meio gás.

Mundo e história

O cenário leva-nos para Veá. Veá é um planeta moribundo. Foi devastado por um cataclismo e está dividido por lutas por causa de um recurso misterioso. Esse recurso chama-se Quenrium. O conflito divide-se entre facções como a Twilight Crusade, a Scourge Alliance e a Legion. Cada grupo tem uma identidade visual própria. Também têm ideias próprias. Isto ajuda a construir uma atmosfera de fantasia negra bastante interessante.

A campanha sofre com a falta de conteúdo nesta fase. Há apenas os dois primeiros capítulos disponíveis. Por causa disso, a história acaba num piscar de olhos. O jogador fica com muito pouco para explorar. Não há espaço para ver o conflito crescer de forma satisfatória.

Grafismo

No lado visual, a câmara de cima dá ao jogo um tom simples. Este tom lembra logo os tempos de ouro da estratégia do início dos anos 2000. O desenho das unidades ajuda a criar o ambiente. O desenho dos cenários também mostra a desolação de Veá. Mesmo assim, nota-se que a produção não tem o dinheiro dos gigantes do género. O resultado é um aspecto visual um bocado simples. Há também falhas técnicas que se notam bem.

Som

O trabalho de som cumpre o seu papel de apoio às batalhas. Mas não traz nada de novo. Os sons dos combates ajudam a compor o ambiente. As vozes das unidades também ajudam a criar a atmosfera sombria do campo de batalha. Ainda assim, falta algum impacto. Falta também variedade para tornar a experiência marcante para os ouvidos.

Conclusão

Liquidation tem o ADN correcto. O jogo percebe o que tornou a sua escola de estratégia tão especial. Mas o lançamento em Acesso Antecipado deixa o jogo demasiado despido. O lançamento final está previsto apenas para a segunda metade de 2027. Por isso, o conteúdo disponível é muito pouco. A experiência geral é ainda muito inicial. O jogo é recomendado apenas para os fãs mais dedicados de Warcraft III e Dawn of War. É para quem queira apoiar o trabalho desde cedo. Para os outros jogadores, o melhor é esperar. Vale mais esperar que este esqueleto ganhe a carne e o músculo que precisa.

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