Análises

Análise: MineGeon: Renegades

Uma pilha de minério precioso e uma mina prestes a desmoronar-se. Poucas coisas testam tanto uma amizade como este cenário. MineGeon: Renegades percebe isto perfeitamente. Por trás de um jogo de acção e escavação cooperativa esconde-se um pequeno teatro de ganância. O objectivo é extrair o saque antes do colapso. A verdadeira questão é decidir se vais partilhar os ganhos com quem te acompanha.

Jogabilidade

O ciclo básico é escavar, lutar e extrair. Cada descida ao subsolo é uma corrida contra o tempo. Perfuramos os cenários. Recolhemos recursos. Tentamos sair vivos antes que tudo desabe. Esta pressão constante transforma a exploração numa escolha permanente entre a ganância e a prudência. Vale a pena arriscar mais um pouco por aquele filão? Ou é melhor voltar para cima com o que já temos? É aqui que o jogo brilha.

O combate puxa para o estilo bullet hell. Para sobreviver, o jogador ganha níveis. Também desbloqueia engenhocas e equipa armas diferentes. Há ainda habilidades especiais que mudam a forma como enfrentamos os inimigos. O jogo tem mais de uma dezena de chefes e hordas de inimigos. Por isso, planear a nossa personagem é um processo táctico muito satisfatório. Dá vontade de voltar a descer só para testar uma nova combinação de equipamento.

A grande diferença face a outros títulos do género está na mistura de cooperação e competição. O jogo obriga à entreajuda para sobreviver aos perigos. Ao mesmo tempo, dá a liberdade para cada um se afastar do grupo. Cada um pode arrecadar as recompensas sozinho. Esta tensão social é excelente. Ajudamos a derrotar um chefe e logo a seguir lutamos pelo espólio. O jogo funciona a solo, mas perde muito do impacto. É com amigos que a experiência ganha vida.

Ainda assim, existem limites. A estrutura pode tornar-se repetitiva ao fim de algum tempo. Isto acontece especialmente para quem joga sozinho. O equilíbrio da dificuldade também falha às vezes. Há picos muito abruptos no meio do caos dos projécteis. A legibilidade do ecrã é posta à prova nos combates mais intensos com vários jogadores. O aviso de colapso iminente da mina devia ser mais claro no meio da acção.

Mundo e história

A acção decorre no subsolo do misterioso planeta PAIMO. Somos enviados para lá para enfrentar saqueadores e extrair recursos valiosos. O pretexto serve perfeitamente para justificar a descida a um mundo hostil. Este mundo está dividido por biomas distintos que escondem os seus próprios segredos.

Grafismo

O trabalho visual apresenta boa variedade ao longo dos seis biomas disponíveis. A acção mantém-se legível na maior parte do tempo. Isto acontece mesmo com a grande quantidade de tiros no ecrã. O acto de perfurar as paredes e o disparo das armas transmitem uma sensação física de peso muito satisfatória.

Som

A atmosfera de ficção científica subterrânea é bem acompanhada pela componente sonora. O trabalho de áudio ajuda a sustentar a tensão da fuga. Também ajuda a dar peso às ferramentas industriais que usamos para escavar os túneis.

Conclusão

MineGeon: Renegades destaca-se graças à tensão da extração. O destaque vem também do equilíbrio entre cooperação e traição. O adiamento do lançamento resultou num produto polido. Está mais acabado do que a média do género. Para quem procura um título cooperativo para partilhar com amigos, onde a rivalidade amigável dita o ritmo de cada partida, esta descida às minas é vivamente recomendada. Para quem planeia jogar só sozinho, a repetição vai fazer-se sentir muito mais cedo.

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