Pro Jank Footy não quer saber de simulações realistas. Também não quer saber de regras enfadonhas que param a acção a cada segundo. O foco aqui é recriar o espírito caótico e exagerado do futebol australiano. O resultado é uma experiência directa. É rápida. É despida de faltas ou paragens que não fazem falta. O jogo foi pensado para manter a bola a rolar e os jogadores a colidir.
Jogabilidade
A jogabilidade brilha no equilíbrio. Os controlos são simples e as regras são moldadas por cartas cheias de loucura. No início de cada partida do modo época entram em acção modificadores aleatórios. O mesmo acontece após cada golo. Estas cartas mudam tudo. Podemos ter jogadores gigantes que esmagam adversários. Podemos ter atletas minúsculos. Podemos ter pontapés com pontaria perfeita. Até podemos ter o carro do pai de alguém estacionado no meio do relvado a atropelar quem passa.
Esta mecânica de cartas é o verdadeiro motor do jogo. O que começa por parecer apenas uma piada parva transforma-se rápido em estratégia. As cartas acumulam ao longo da época para simular cansaço e lesões. Por isso, o jogador tem de se adaptar. Marcar um ponto simples através dos postes laterais já não é só um prémio de consolação. Passa a ser uma táctica para manter a pressão no ataque. Podemos usar um veículo para abrir caminho pela defesa contrária.
Os controlos são directos. Respondem muito bem. Permitem passes, placagens e saltos sem complicações. Uma carta pode decidir enfiar 72 jogadores em campo em vez dos habituais 36. Mesmo assim, o caos continua a ser fácil de controlar. Há uma curva de aprendizagem real por trás de toda a paródia. O jogo recompensa quem decidir dar tempo para perceber o posicionamento. Também ajuda a perceber o tempo certo para cada acção.

Mundo e história
Não há propriamente uma história. O foco está no modo época. Nele tentamos levar a nossa equipa à vitória. Pelo caminho, lidamos com o desgaste do plantel. Esse desgaste vem das cartas acumuladas. A estrutura da época pode parecer um pouco vazia ao fim de algum tempo. Mesmo assim, a variedade de situações absurdas que surgem em cada jogo compensa. Compensa a falta de modos mais completos.
Grafismo
O estilo visual aposta numa arte em píxeis muito colorida e viva. O ecrã enche-se de animações detalhadas. É muito bonito ver gigantes de vinte metros a marchar pelo campo. Depois são derrubados por um jogador normal. Este jogador acaba esmagado pela queda do colosso. A acção é fluida. A apresentação nunca perde a energia.

Som
O trabalho de som ajuda a criar o ambiente de forma muito boa. O destaque vai inteiro para o comentador. Ele tem a voz de Broden Kelly. O comentador grita a palavra FOOTY com uma força hilariante em momentos ao calhas. É um detalhe simples. Mas este detalhe sobe o tom cómico de cada partida.
Conclusão
Pro Jank Footy funciona muito bem para quem quer um jogo de desporto fácil. É divertido. Não tem a barreira das regras difíceis do futebol australiano real. É ideal para jogar com amigos. É no multijogador que o caos das cartas brilha mais. Por outro lado, quem jogar só sozinho pode sentir cansaço. A estrutura da época torna-se repetitiva ao fim de algum tempo. No final, a grande vitória deste jogo é conseguir ser uma paródia muito divertida. Ao mesmo tempo, respeita e ensina a gostar do desporto que tenta imitar.

