Análises

Análise: Berry Bury Berry

Atirar coisas para um buraco escuro não devia ser tão bom. Berry Bury Berry mete-nos num jardim cheio de cor com uma tarefa simples. Temos de cultivar bagas. Depois, temos de as atirar para o vazio silencioso no meio do cenário. O que parece ser uma piada parva passa a ser uma rotina que nos agarra. O jogo dá um peso físico que não é normal neste género. Costumamos ter só menus parados e cliques sem graça.

Jogabilidade

A grande diferença deste jogo para outros jogos de ver números a subir é a primeira pessoa. Não estamos só a ver números a crescer num ecrã. Nós estamos lá dentro do jogo. Apanhar as bagas com as mãos e atirar as bagas para o abismo exige pontaria. Também exige movimento. Este toque físico dá um prazer rápido. Os cliques num rato quase nunca conseguem dar este prazer. O início do jogo é muito bom. Tem um ritmo que nunca para, com novas plantas, melhorias rápidas e um ganho rápido do nosso esforço.

Com o tempo, o trabalho com as mãos passa a ser automático. Deixamos de apanhar fruta. Passamos a ser chefes de um sistema de produção que dá muito trabalho. Ver as máquinas a trabalhar e a mandar as bagas para o meio do mapa é muito bom. O problema é que esta mudança bate numa parede dura a meio do caminho. O ritmo fica muito lento. Os custos das melhorias sobem muito depressa de um momento para o outro. O progresso fica lento e muito repetitivo durante muito tempo.

Para piorar este ritmo lento, a nossa pontaria a atirar perde a força. Essa pontaria era muito importante no início. Depois, os números e as contas passam a mandar no jogo. Mesmo assim, o jogo tem vários finais. Isso ajuda a manter a cabeça no sítio. Dá um objetivo claro a todo este trabalho de cultivar.

Mundo e história

Há um contraste de tons muito bom em Berry Bury Berry. O jogo vive no meio de duas coisas. Tem o lado fofo de um jardim e o medo silencioso daquele buraco negro gigante. Há um mistério sempre no ar. A história é contada de forma muito escondida. Aparece em pequenos pedaços de texto e em pistas espalhadas pelo cenário.

O buraco no meio do jardim funciona como uma imagem com muita força. Quem quiser respostas fáceis vai ficar triste. Quem quiser uma história normal também vai ficar triste. O jogo prefere dar pistas em vez de explicar tudo. O mistério fica mesmo até ao fim.

Grafismo

O visual parece um pequeno cenário feito à mão. As cores são vivas e fortes. Isso faz com que o jardim seja muito bonito de ver. Este lado alegre bate de frente com o escuro total do buraco no meio. Isto cria um choque visual forte e feito de propósito.

Som

O trabalho de som é simples mas funciona bem. O som é muito simples. Junta o barulho de sinos pequenos com um sopro que vem sempre do vazio. Este choque de sons ajuda a manter a ideia de que estamos sozinhos e com um mistério para resolver.

Conclusão

Berry Bury Berry é um jogo pequeno e fora do normal. Funciona muito bem para quem quer um jogo de números diferente, com ambiente e mistério. Não vai agradar a quem quer ação rápida. Também não serve para quem quer sistemas difíceis ou odeia a repetição deste género. O ritmo quebra muito a meio do jogo. Isso é verdade. Mas o fim de tudo é um jogo físico que fica na cabeça. É um jogo sobre cultivar, melhorar as máquinas e aprender a deixar ir.

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