Vestir uma armadura de cartão e bater em colegas de trabalho é uma óptima terapia. Box Knight percebe isso muito bem. O jogo não quer ser o maior jogo do género. Quer ser só um escape cómico e rápido. É para quem lida todos os dias com prazos, reuniões secas e chefes chatos. A ideia de combater uma compra da empresa com armas improvisadas é o que segura o jogo.
Jogabilidade
O combate mistura a acção de bater em todos com a estrutura de um jogo onde se morre e começa de novo. Controlamos um trabalhador farto de tudo. Ele usa espadas de cartão e outras coisas que encontra no escritório. O grupo de armas é variado e divertido. Encontrar uma arma nova de papelão muda a forma como limpamos a sala a seguir. Até a cura entra na piada. Curamos a vida a beber cerveja.
O problema aparece quando a novidade passa. Sem a camada de humor, o combate é muito comum. Não há nada de novo aqui. Para piorar, a dificuldade dá um salto gigante. Isso acontece logo depois de ganharmos a primeira vez. O jogo mete inimigos fortes logo nas salas do início. Faz isso sem aviso e sem uma subida suave. Esta escolha faz com que começar de novo seja um teste para a paciência. Fica muito frustrante.
Outro ponto que precisava de mais trabalho é a explicação das regras secundárias. Coisas importantes, como o fogo ou o gelo nas armas, aparecem em frases curtas. Estas frases passam a correr nos ecrãs de carregar o jogo. É muito pouco. O jogo exige reacções rápidas e temos de nos adaptar a novas ameaças a toda a hora.

Mundo e história
A história é a força real do jogo. A ideia de trabalhadores que se revoltam contra a tristeza de uma fusão de empresas é óptima. Os inimigos são clichés do escritório em forma de monstro. Isso faz com que cada luta seja uma piada fácil de perceber. A luta por melhores condições de trabalho nunca foi tão real nem tão divertida.
Grafismo
O estilo visual é simples e de bonecos. Fica muito bem com o tom parvo do jogo. Ver pessoas com caixas de cartão na cabeça a correr por escritórios cinzentos cria um contraste óptimo. O aspecto dos inimigos mostra logo o que eles fazem. Percebe-se logo o cargo deles na empresa.

Som
A música acompanha o ritmo rápido dos combates. Não é nada de especial que fique na cabeça. Cumpre o papel de manter a energia alta nas salas de reuniões e nos corredores.
Conclusão
Box Knight serve muito bem para deitar fora o stress do trabalho. Se sofres com a vida de escritório, vais gostar. É bom para descarregar a raiva num jogo com piadas muito boas. Se queres um jogo do género com regras profundas e um desafio justo, podes ficar desiludido. O combate comum e a dificuldade sem regras depois de ganhares a primeira vez vão afastar-te depressa.

