Brigandine Abyss coloca o jogador no papel de um verdadeiro general de guerra. A vitória decide-se muito antes do primeiro golpe de espada. O foco aqui não é a jornada de um pequeno grupo de heróis. O objectivo é a conquista total de um continente. É um jogo de estratégia pura. É um jogo imponente e exigente. O jogo prefere a escala macro de um simulador de guerra. Não quer a intimidade de um RPG táctico tradicional.
Esta escala funciona bem. A preparação é o verdadeiro coração da experiência. Passamos horas nos menus a organizar as nossas forças. Esse tempo nunca parece desperdiçado. Gerir líderes torna-se um vício rápido. Recrutar monstros e distribuir recursos em múltiplos territórios também vicia. Cada decisão na fase de organização tem um peso real. Esse peso sente-se no mapa-múndi de Meltitea.
Jogabilidade
A fase de organização é onde o jogo mostra a sua melhor face. Planear as defesas das nossas bases exige atenção constante. Enviar personagens para missões secundárias também exige atenção. Temos de gerir a capacidade de comando dos líderes. É preciso perceber quantos monstros podem levar para o campo de batalha. Esta gestão minuciosa de recursos dá muito gozo.
Quando passamos para o combate em grelha hexagonal, a dinâmica mantém-se interessante. Há uma mecânica para derrotar o líder e eliminar todo o seu esquadrão de uma vez. Isto introduz uma enorme tensão. Obriga a pensar no posicionamento de forma muito cuidadosa. Se a situação apertar, há a mecânica de Rally. Ela permite retirar um monstro de combate. Isso dá bónus passivos ao líder. É uma óptima ferramenta táctica.
O problema surge quando a inteligência artificial entra em acção. A IA dos inimigos é muito previsível. Torna-se fácil de explorar após algumas batalhas. Pior ainda é a inteligência artificial dos aliados. Ela toma decisões absurdas e frustrantes por vezes. A isto junta-se uma pouca variedade de classes para os líderes. Isto acaba por limitar a experimentação ao longo das campanhas. Ainda assim, o volume de conteúdo é gigante. Há seis campanhas e um modo missão com 24 fações. Há aqui dezenas de horas de jogo.

Mundo e história
A premissa é acompanhar seis fações diferentes no combate contra o Novo Império. Parece promissora. Infelizmente, a execução é muito má. A história é superficial. Os diálogos arrastam-se sem grande sumo. As personagens não passam de bonecos básicos de anime. Não têm qualquer desenvolvimento visível.
O jogo sofre também de uma enorme diferença entre o que jogamos e o que nos contam. A narrativa diz que todos se devem unir contra o Império. No entanto, a jogabilidade obriga-nos a conquistar os nossos vizinhos pacíficos para avançar. As poucas mudanças de atitude das personagens acontecem fora do ecrã. Acontecem sem qualquer explicação lógica. É impossível criar uma ligação com este mundo.
Grafismo
O jogo parece parado no tempo na parte visual. A apresentação geral é velha. Lembra a era da PlayStation 3. Há uma repetição exagerada de modelos para várias unidades. Isto retira identidade aos confrontos. As cinemáticas também não ajudam. Parecem imagens paradas forçadas a mover-se. Salva-se o trabalho de arte 2D nos retratos das personagens. Estes retratos são detalhados e expressivos.

Som
O trabalho sonoro cumpre o seu papel. Acompanha as longas batalhas e as sessões de planeamento nos menus. A banda sonora ajuda a manter o tom militar. Dá solenidade aos confrontos. Ainda assim, não tem temas que fiquem gravados na memória após desligarmos a consola.
Conclusão
Brigandine Abyss é um excelente simulador de guerra para quem procura profundidade táctica. É óptimo para quem adora perder horas na gestão de exércitos. A jogabilidade pura compensa o investimento. Compensa para os fãs mais dedicados do género. Contudo, há quem precise de uma história forte ou de uma apresentação moderna para se manter motivado. Para esses, as fraquezas deste título vão ser demasiado visíveis.

