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Análise: Dread Admiral

Dread Admiral atira o jogador para o meio de águas perigosas. Faz isso sem grandes cerimónias. Controlar um navio pirata devia ser uma aventura entusiasmante. Manter a ordem entre marinheiros rebeldes também. No entanto, a realidade do jogo é muito mais cinzenta. É também muito mais burocrática do que as lendas de piratas fazem prever. O foco está na sobrevivência diária. Está também na microgestão constante. Isto transforma o sonho de navegar livremente numa rotina pesada. É uma rotina de tarefas e de decisões ingratas.

Jogabilidade

A gestão da tripulação é a mecânica que merece mais atenção. Cada marinheiro tem a sua própria personalidade. Tem também necessidades de alimentação e níveis de lealdade. Gerir estes números devia criar dinâmicas interessantes a bordo. O problema é que o sistema cansa depressa. Torna-se num trabalho administrativo repetitivo. Passamos demasiado tempo a clicar em menus. Fazemos isso para garantir que ninguém morre de fome. Ou para que ninguém faça um motim por falta de rum.

Esta microgestão constante bate de frente com o combate naval. Quando os canhões começam a disparar, o jogo exige atenção rápida. Mas a interface não ajuda. Os menus são confusos. Os cliques nem sempre funcionam à primeira. A resposta dos comandos é lenta. Em vez de sentirmos a tensão de uma batalha de barcos, sentimos outra coisa. Sentimos a frustração de lutar contra os próprios controlos.

O maior problema de Dread Admiral é mesmo este atrito constante nos menus. Um jogo de estratégia precisa de precisão. Aqui, dar uma ordem simples para mudar de rumo é difícil. Focar o fogo num navio inimigo também. Tudo se transforma num teste de paciência. A curva de dificuldade acaba por ser artificial. Fica pior pela falta de clareza visual e pela lentidão dos menus.

Mundo e história

O mundo do jogo vive da atmosfera de pirataria clássica. Tem portos duvidosos. Tem monstros marinhos. Tem frotas imperiais a perseguirem o nosso navio. A premissa é forte. Queremos construir uma reputação como o almirante mais temido dos mares. Pena que a história se perca em missões secundárias. Estas missões são muito semelhantes entre si. O progresso é lento. As escolhas morais raramente têm impacto. O jogo promete esse impacto no início, mas não o dá.

Grafismo

O jogo opta por um estilo sombrio. Este estilo visual combina bem com o tom pesado da vida no mar. A água tem um comportamento aceitável. Os modelos dos barcos são detalhados. Ainda assim, há pouca variedade de cenários. As ilhas que visitamos repetem-se muito. Isto faz com que o mundo pareça vazio. Fica desinteressante ao fim de algumas horas.

Som

A banda sonora cumpre o seu papel. Tem temas que lembram as cantigas de marinheiros. Também ajudam na tensão das batalhas. Os efeitos sonoros dos tiros de canhão são bons. A madeira a ranger também ajuda a criar o ambiente. Mas há pouca variedade nas vozes dos tripulantes. Isso torna as viagens longas bastante monótonas.

Conclusão

Dread Admiral serve para quem quer um simulador de gestão naval muito rigoroso. É preciso ter paciência de sobra para ultrapassar menus difíceis. Não serve para quem espera batalhas navais rápidas. Também não serve para quem quer uma aventura pirata bem feita. O jogo tem boas ideias no papel. Mas a execução falha no que importa. Falha em tornar a rotina de comando divertida.

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