A premissa de Feed the Scorchpot coloca o jogador numa situação delicada. Há um dragão gigante que protege a ilha. O preço dessa protecção é uma refeição anual perfeita durante vinte anos. Se falharmos o banquete, a criatura come a aldeia inteira. Para evitar este fim trágico, a nossa única ferramenta são os dados antigos. Usamos os dados para cultivar a terra, erguer edifícios e cozinhar pratos complexos.
Jogabilidade
O jogo funciona como uma mistura mecânica muito própria. Imagina uma fusão entre Yahtzee, os tabuleiros de hexágonos de Settlers of Catan e a loucura de Balatro. Lançamos dados e combinamos os resultados em trios. Isto serve para marcar hexágonos específicos no mapa. Se o resultado for mau, podemos guardar os dados que queremos. Depois voltamos a lançar os outros. Mas atenção, as hipóteses de repetição são poucas em cada estação do ano.
Para melhorar a produção, precisamos de construir estruturas. Os edifícios ficam nas intersecções dos hexágonos. Muitos deles ganham bónus se ficarem ao lado uns dos outros. Planear o espaço é muito importante. Depois de colocar um edifício, ele já não sai dali. Estas estruturas ajudam a recolher comida ou dão mais dados para os lançamentos seguintes.
Depois de lançar os dados e marcar os terrenos, chega a colheita. Os recursos recolhidos são a base da refeição. Mas o dragão não come coisas cruas. É aqui que entram as receitas compradas na loja. Elas funcionam como multiplicadores de sabor. O segredo para sobreviver a longo prazo é criar sinergias gigantes entre a matéria-prima e as receitas. Só assim fazemos os números disparar.
Para agitar as coisas, o dragão decide complicar a nossa vida por puro tédio. A criatura pode queimar terrenos, fechar a loja ou tirar o bónus de prosperidade durante um ano inteiro. Estes ataques são anunciados com antecedência. Mesmo assim, exigem uma preparação cuidada. Temos de usar bem as ferramentas consumíveis para não perder o jogo logo ali.

Mundo e história
A história é simples. Serve apenas para dar uma razão à pressão constante de manter o monstro alimentado. O contrato de vinte anos cria uma urgência que cresce sempre. A cada ano que passa, o apetite do dragão fica muito maior. O jogo também tem opções para progredir. Dá para desbloquear novos dragões com regras diferentes e mudar o baralho inicial de dados.
Grafismo
O estilo visual é um dos pontos mais fortes de todos. Toda a arte parece tirada de tapeçarias da Idade Média. O ecrã fica cheio de elementos e os números crescem sem controlo. Mesmo assim, a interface mantém-se limpa e fácil de ler. Há pequenos pormenores muito bons. Ver o dragão a eliminar ameaças ou a comer aldeões azarados dá muita personalidade ao ecrã.

Som
A música acompanha o tom histórico do jogo. As canções são adequadas à época medieval. Elas transmitem uma calma que contrasta com a tensão de ver o prazo da refeição a chegar ao fim.
Conclusão
Feed the Scorchpot funciona muito bem para quem gosta de estratégia com probabilidade. É ideal para quem gosta de arrumar o espaço e ver números a subir até aos milhares de milhões. Não é a melhor opção para quem quer uma história profunda. Também não serve para quem odeia a sorte dos dados. Mas a forma como junta mecânicas conhecidas cria um jogo muito viciante e difícil de largar.

