Análises

Análise: Golden Swirl

Golden Swirl coloca o jogador logo no centro de um conflito tenso. Aqui, cada decisão com as cartas dita a sobrevivência. O jogo brilha muito quando estamos na arena. É uma intensidade rara. No entanto, o jogo quer contar uma história sem grande interesse. Isso acaba por estragar o ritmo. A experiência tinha tudo para ser memorável, mas perde-se aí.

Jogabilidade

O combate é uma mistura fantástica. Junta cartas com acção em tempo real. Não se trata de deitar cartas para a mesa e ver números a subir. Aqui, as cartas controlam directamente a movimentação, a defesa e os ataques. Quando escolhemos uma carta, o tempo pausa. Esse momento de pausa táctica é óptimo. Permite ver bem o cenário. Dá para apontar com precisão e planear o próximo passo. Fazemos isto sem a pressão do tempo real, mas sem perder a energia do combate.

Esta dinâmica ganha ainda mais força com a variedade de personagens. Cada uma traz um estilo de jogo diferente. Têm conjuntos de cartas exclusivos, equipamentos e amuletos. Estes elementos mudam a forma como olhamos para as batalhas. Dá muito gozo descobrir combinações de cartas e ver um plano a dar certo. O sistema Golden Will também traz tensão fora dos combates. Permite usar o baralho para mudar eventos aleatórios. São riscos calculados.

O problema é o resto. Tudo o que rodeia este combate brilhante parece feito para travar o entusiasmo. A progressão fora das arenas é cansativa. A árvore de melhorias permanentes chama-se Golden Tree. Ela limita-se a dar pequenos bónus de números. São bónus aborrecidos. Não traz novas mecânicas nem novas formas de jogar. Para além disso, as salas de combate são muito repetitivas. Acabamos a lutar vezes sem conta em arenas quadradas. São quase todas iguais. Os inimigos também começam a parecer todos o mesmo muito depressa.

Mundo e história

A narrativa é o maior obstáculo de Golden Swirl. O jogo não se cala. Depois de cada combate, temos diálogos longos. São textos repetitivos e secos que quebram o ritmo todo. A história é fácil de esquecer. As personagens também. Fica a ideia de que a história foi metida à pressa. Só serve para tentar explicar as mecânicas e o estilo visual. É irritante querer só voltar a jogar e ter de passar minutos a saltar texto que não interessa para nada.

Grafismo

No lado visual, o jogo tem um estilo polido e com força. Escolhe um caminho provocador e com muito exagero para agradar aos fãs. Os desenhos das personagens ficam na cabeça. Ainda assim, algumas partes do corpo têm proporções estranhas. Este estilo também estraga o clima de terror que o jogo tenta criar. Os cenários sofrem com o facto de as salas serem todas iguais. Fica tudo muito cansativo para os olhos ao fim de poucas horas.

Som

As vozes em inglês têm muito trabalho gravado. Há falas para quase tudo. O problema é que a quantidade de falas passa a ser um peso. A escrita não ajuda. O jogador só quer avançar. Ouvir parágrafos inteiros de conversa e explicação torna-se muito cansativo.

Conclusão

Golden Swirl vence no desenho do seu combate novo. Também brilha na liberdade que dá para testar baralhos e personagens. Funciona muito bem para quem gosta de jogos de cartas e quer mecânicas profundas. Por outro lado, não vai funcionar para quem não tem paciência. Há muita conversa a cortar o jogo. Os níveis também têm desenhos muito repetitivos. O combate é excelente, mas merecia um jogo que não tentasse travar a nossa diversão a toda a hora.

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