Sobreviver a hordas de inimigos no ecrã já não é uma novidade. O género dos survivors-likes está cheio de clones. Quase todos fazem o mesmo. Ground Zero Hero decide seguir outro caminho. Em vez de nos dar espadas ou pistolas vulgares, foca-se na mutação física pura e dura. O próprio corpo da personagem passa a ser a arma mais perigosa do cenário.
Esta transformação física é o centro de toda a diversão. É hilariante ver o nosso herói ganhar uma terceira perna para correr mais rápido. Também faz crescer braços elásticos que esmurram tudo à volta. O jogo não se leva a sério. Isso joga a seu favor. Começamos a acumular melhorias. Disparamos lasers pelos olhos. Esmagamos mutantes com punhos de martelo gigantes. O caos no ecrã é glorioso. O ritmo das partidas é rápido e sabe muito bem.
Jogabilidade
As mutações físicas substituem as armas tradicionais de forma brilhante. Cada nova escolha altera a personagem no ecrã. Isto torna a evolução muito mais recompensadora. Não é só ver números a subir. No entanto, esta dinâmica traz um problema comum ao género. Ficamos muito dependentes da sorte. Precisamos de sorte nos upgrades que aparecem para conseguir vencer cada tentativa.
O ciclo dia e noite traz uma parte estratégica interessante. Durante o dia, o perigo é controlado. Quando a noite cai, os inimigos ficam muito mais agressivos. Mas as recompensas também são maiores. É aqui que entram os bunkers. Estes locais servem de refúgio temporário. Dão para curar as feridas e planear o próximo passo no meio da loucura da noite. É uma dinâmica que funciona muito bem. Quebra a monotonia de correr sem rumo.
A progressão faz-se com uma árvore de melhorias permanentes. Ela ajuda a aguentar a força dos níveis mais avançados. O problema é que esta árvore acaba depressa demais. Quando todas as melhorias estão desbloqueadas, o incentivo para continuar a jogar nos modos infinitos desaparece. O jogo esgota-se num par de horas. Fica um sabor a pouco.

Mundo e história
A premissa é um desastre nuclear absurdo. Parece saída de um episódio clássico de desenhos animados da televisão. Não há aqui uma história pesada. Há apenas uma desculpa cómica para justificar as mutações bizarras e o estado caótico do mundo.
Grafismo
O visual é um dos maiores trunfos deste trabalho. O estilo de arte vai beber ao traço de Matt Groening. Tudo é brilhante, colorido e cheio de contornos expressivos. Este design evita que o jogo fique com um aspecto genérico como tantos outros concorrentes. Dá-lhe uma identidade muito forte.

Som
O som acompanha bem a acção caótica. Os efeitos sonoros das mutações a funcionar e das explosões nucleares ajudam. Mostram bem este ambiente de desenho animado que podemos jogar.
Conclusão
Ground Zero Hero é um excelente jogo para quem quer algo directo. É divertido e cheio de humor visual por um preço muito baixo. As mutações absurdas e o estilo de arte garantem momentos óptimos. Não funciona tão bem para quem quer dezenas de horas de jogo e muita profundidade. É uma experiência curta, mas vale bem a pena enquanto dura.

