Entrar no mundo de HYPNOS é como caminhar dentro de uma pintura surrealista que ganhou vida. O jogo não perde tempo com apresentações mundanas. Atira-nos directamente para a Cidade Sem Nome. Esta megastrutura parece estender-se até ao infinito. Fica sob a sombra da Montanha Sagrada. A sensação de escala é avassaladora. Sentimo-nos minúsculos diante de colossos de pedra e de uma arquitetura impossível. É um início forte. Foca-se na contemplação e no mistério.
Jogabilidade
A exploração é o verdadeiro motor da experiência. O mundo semiaberto convida a desviar do caminho óbvio. Queremos espreitar cada canto e cada fenda. Há uma verticalidade impressionante que gera vertigens constantes. O problema surge quando tentamos realmente mover-nos por este espaço. O ritmo de movimento é exasperante. Mesmo a correr, a sensação é a de estarmos a tentar avançar dentro de água. Ou dentro de um xarope espesso. Esta lentidão artificial arrasta a experiência. Transforma o que devia ser uma caminhada contemplativa num teste à paciência.
Para tentar mitigar a distância entre as zonas, existe agora um sistema de teletransporte. É uma adição muito bem-vinda em relação ao jogo anterior da equipa. Mas não resolve o problema base da velocidade de locomoção. A interação com o cenário permite alterar a matéria dos sonhos. Isso desvenda caminhos ocultos. No entanto, a navegação física esbarra muitas vezes em problemas técnicos. Ficar preso em cantos do cenário sem conseguir sair é uma situação comum. Cair em zonas sem saída onde não é possível morrer para reiniciar também acontece muito.
Os encontros com os habitantes deste limbo trazem diálogos ramificados. Trazem também escolhas que afectam o destino das personagens. No entanto, a escrita falha em acompanhar o brilhantismo visual. As conversas tentam ser enigmáticas. Acabam muitas vezes por soar vazias ou mal estruturadas. Isto quebra o feitiço da imersão que o cenário constrói com tanto esforço.

Mundo e história
Controlamos Choron, um vagabundo atormentado pelo passado. Ele está na busca por um rapaz sem rosto chamado Matthew. Esta premissa serve de desculpa para desbravar um universo. É um universo fortemente inspirado na mitologia de Lovecraft e na estética de megastruturas industriais. A atmosfera de solidão e mistério é palpável. O mundo parece antigo. Foi construído sobre as ruínas de civilizações esquecidas. É governado por monarcas bizarros e espíritos que partilham o mesmo destino trágico.
Grafismo
Visualmente, o trabalho da Redlock é formidável. A direcção artística é o ponto mais forte de todo o conjunto. A escala monumental dos edifícios é incrível. O uso de luz e sombras cria profundidade. O design das criaturas cria um ambiente verdadeiramente memorável. É um daqueles casos em que apetece parar a cada poucos passos. Só queremos parar para tirar uma captura de ecrã. Contudo, esta beleza exige bastante do hardware. Mostra alguma falta de optimização em sistemas que não cumpram os requisitos mais exigentes.

Som
A banda sonora acompanha a viagem com mestria. As composições musicais reforçam a sensação de isolamento. Reforçam também o tom onírico da aventura. Há um equilíbrio muito conseguido entre o silêncio opressivo da megastrutura e os temas que surgem nos momentos de maior revelação. Isto ajuda a manter a tensão sempre latente no fundo da mente do jogador.
Conclusão
HYPNOS funciona muito bem para quem procura uma experiência puramente atmosférica. É bom para quem valoriza a direcção artística acima de tudo. Se gostas de perder-te em mundos misteriosos e não tens pressa para chegar ao destino, há aqui muito para admirar. Não funciona, de todo, para quem exige uma jogabilidade fluida. Não serve para quem quer acção rápida ou uma narrativa com pés e cabeça. O veredicto é o de um jogo com uma beleza visual inquestionável. Mas é um jogo que se arrasta demasiado. Tropeça em falhas técnicas que quebram o ritmo da viagem.

